Covas projeta Bilhete Único virtual e não emitirá mais cartões sem identificação

Decreto do prefeito de São Paulo fala em substituir cartão físico e fixa prazo de um ano para usar créditos

Guilherme Seto
São Paulo

Decreto assinado pelo prefeito paulistano Bruno Covas (PSDB) e publicado neste sábado (23) no Diário Oficial do Município estabeleceu diversas mudanças no Bilhete Único.

Entre elas estão a possibilidade de substituir os cartões físicos por virtuais, o fim da emissão de cartões sem identificação, a redução do prazo de validade de utilização dos créditos e a possibilidade de inserção de anúncios publicitários nos cartões.

As mudanças promovidas no Bilhete Único estão relacionadas, em grande medida, ao aumento da segurança do sistema, a diminuição de fraudes e a redução de gastos.

A substituição dos cartões físicos por virtuais permitiria à prefeitura a implantação de um modelo em que celulares seriam utilizados para a identificação de usuários nas catracas. Em sua passagem pela prefeitura, o atual governador paulista João Doria (PSDB) afirmou que acabaria com os cartões físicos, tal como havia visto em viagem pela Coreia do Sul.

Com isso, o sistema ganharia em segurança e os recursos para emissão de cartões seriam economizados.

A prefeitura tem se esforçado para fazer com que os usuários passem a utilizar os cartões com identificação desde o começo do ano. Recentemente, impôs limite de 10 cargas (R$ 43 no valor atual da tarifa) aos bilhetes sem identificação.

Com o decreto, ficou definido que não será mais emitido esse tipo de cartão. Os usuários podem solicitar um cartão com identificação gratuitamente em um posto de atendimento da SPTrans (empresa responsável pelo transporte coletivo na capital) nos terminais de ônibus de São Paulo  e, em seguida, pedir a transferência dos créditos que possuem nos que não tem identificação.

Até a publicação do decreto, os créditos dos Bilhetes Únicos podiam ser utilizados em até cinco anos. A partir deste sábado (23), os valores terão que ser consumidos em até um ano, aumentando assim a periodicidade das recargas e reduzindo a possibilidade de fraudes.

O decreto também abre possibilidade de que o bilhete possa ser usado futuramente não apenas nos metrôs, ônibus e trens, mas também em modais não motorizados, como a bicicleta e os patinetes.

Como maneira de capitalizar o sistema de transporte municipal, caracterizado por grandes somas de subsídio da prefeitura, a gestão Covas também incluiu a possibilidade de exploração comercial dos cartões do Bilhete Único por meio de anúncios publicitários.

O texto estabelece que essa exploração poderá se prolongar até o momento em que o Bilhete Único seja concedido para a iniciativa privada, tal como planejado pela administração tucana, mas que ainda não saiu do papel.

No início do ano, a prefeitura decidiu aumentar a tarifa de ônibus de São Paulo para R$ 4,30, acompanhando decisão tomada em âmbito estadual por Doria.

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