Família se cala e mantém blindagem sobre morte de ativista Sabrina Bittencourt

Onze dias após divulgação do suicídio, familiares evitam falar; ela ficou conhecida ao denunciar casos de abusos sexuais

Indaiatuba (SP)

Onze dias após a morte de Sabrina Bittencourt ser divulgada, familiares da ativista mantêm uma blindagem e se recusam a comentar o episódio. Ela ficou conhecida por denunciar uma série de abusos sexuais, entre eles o que levou à prisão o médium João de Deus

O suicídio da ativista foi noticiado no dia 3 de fevereiro, e, no relato de seu filho mais velho, de 17 anos, ocorreu no Líbano, onde ela estaria com a namorada. 

O jovem também disse nas redes sociais que ninguém teria acesso ao corpo de sua mãe, e que o enterro estava marcado para o dia 9 de fevereiro. Ele não publicou outras informações a respeito depois disso. A Embaixada do Brasil em Beirute e o Itamaraty não confirmam a morte. 

Segundo apurado pela Folha, os pais e irmãos de Sabrina não deixaram o país para acompanhar o sepultamento. Moradoras de Indaiatuba (a 27 km de Campinas), a mãe e as irmãs continuam na cidade e têm evitado exposição e aparições em público. O pai de Sabrina, que mora no Recife, também continua no estado e não fala sobre o assunto.

A ativista social Sabrina Bittencourt
A ativista social Sabrina Bittencourt - Arquivo pessoal/Reprodução Facebook

Desde que o caso se tornou público, familiares de Sabrina evitam o contato com a imprensa. Em nota publicada pelo grupo Vítimas Unidas, parentes pediram que ninguém os procurasse.

“Pedimos a todos que não tentem entrar em contato com nenhum integrante da família, preservando-os de perguntas que sejam dolorosas neste momento tão difícil”, diz trecho da publicação. 

Na tentativa de não serem localizados, na semana passada, familiares de Sabrina —entre eles, o pai e a mãe da ativista— deletaram seus perfis nas redes sociais.

A reportagem da Folha esteve em Indaiatuba e tentou conversar com os familiares, mas eles não quiseram atender. 

No apartamento localizado no centro da cidade onde Doris Mabel Botella, mãe de Sabrina, mora com seus pais, o acesso à família é restrito.

No contato feito pela reportagem, eles não atenderam e questionaram, por meio de uma funcionária da portaria, a identidade de quem estava chamando. Depois quiseram saber os nomes das pessoas procuradas no apartamento, para então responderem que nenhum dos moradores tinha os nomes indicados.

Vizinhos, no entanto, confirmam se tratar da residência da família, que não saiu da cidade e permanece no local nos últimos dias. Doris também não atendeu a ligações telefônicas e contatos por mensagens via WhatsApp.

SILÊNCIO

Bianca Botella, uma das irmãs de Sabrina que mora em Indaiatuba, também foi procurada na segunda-feira (12). Em seu endereço, o homem que atendeu afirmou não conhecê-la. Disse ainda que morava no imóvel havia seis meses e que não sabia quem era Bianca ou os ocupantes anteriores da casa.

Apesar disso, moradores do entorno confirmaram que a irmã de Sabrina mora atualmente no imóvel. O homem que atendeu a reportagem seria Daniel, marido de Bianca e cunhado da ativista.

De acordo com o ex-marido de Sabrina, Rafael Bueno, Doris avisou a familiares que havia sido procurada em seu apartamento e também na casa de sua filha, confirmando que tanto ela quanto a filha permanecem nos respectivos endereços. 

Além do filho adolescente, a única pessoa mais próxima de Sabrina que se pronunciou até o momento sobre a morte dela foi seu ex-marido. Ele, os filhos e a atual namorada seriam os únicos que tiveram acesso ao enterro da ativista. A identidade da namorada, que estaria com Sabrina no Líbano não foi revelada.

A presidente do Vítimas Unidas, Maria do Carmo Santos, foi a primeira a falar da morte de Sabrina. Na ocasião, ela divulgou em redes sociais que Sabrina teria tirado a própria vida em Barcelona.

Ela também disse que não tinha informações sobre o local do velório e do enterro. A informação foi alterada posteriormente pelo filho da ativista, que afirmou que a morte teria ocorrido no Líbano e não na Espanha.

Ele disse ainda que atenderia o pedido da mãe sobre o enterro.

“Minha mãe pediu para ser enterrada debaixo de sua oliveira, onde ela tinha paz para escrever seus livros junto com os desenhos que eu, meus irmãos e um monte de crianças dos países que ela passava fizemos pra ela e as cartas de amor que recebeu durante a vida. Esse era o tesouro dela. As boas palavras e intenções das pessoas.”

 

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