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Médica cubana é morta com golpes de chave de fenda na Grande SP; marido confessa

Profissional foi do Mais Médicos; vigia, segundo polícia, disse ter ouvido vozes

Alfredo Henrique
São Paulo | Agora

Um vigia de 45 anos foi preso na noite de domingo em Mauá (ABC), após admitir matar com uma chave de fenda a mulher, a médica cubana Laidys Sosa Ulloa Gonçalves, 37. Ela fez parte do programa Mais Médicos no interior da Bahia.

O vigilante brasileiro Dailton Gonçalves Ferreira, 45, confessou ter matado a mulher, a médica cubana Laidys Sosa Ulloa Gonçalves, 37 - Reprodução

Dailton Gonçalves Ferreira confessou o crime, segundo a polícia, e afirmou que “vozes” o induziram a matar a médica. A defesa dele não foi encontrada.

Segundo o suspeito contou à polícia, ele estava casado havia cerca de dois anos com Laidys que, afirmou o vigia, “era calma”. Porém, conforme o acusado, ela estava “ansiosa” nos últimos tempos e “prescreveu” para o vigia remédios para vermes.

“[Os remédios] o fizeram ouvir vozes que lhe indicavam caminhos a serem seguidos”, diz trecho do boletim de ocorrência. Ele chegou a afirmar, segundo familiares, que o assassinato “não foi um pecado, mas um sacrifício necessário”.

Ferreira ainda afirmou que acertou à vítima ao menos dez vezes com a chave de fenda, dentro da casa do casal, onde ela morreu.

Depois, ele abandonou o corpo em um matagal, na estrada dos Fernandes, região de Ribeirão Pires.

Parentes informaram a PM sobre o crime. Com isso, o acusado foi encontrado e preso, com o carro, ainda na região de Ribeirão Pires por câmeras de monitoramento.

MÉDICOS CUBANOS

Em novembro de 2018, o governo de Cuba anunciou a saída dos médicos cubanos do Mais Médicos. A decisão foi tomada em retaliação a exigências feitas pelo presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) para a continuação do programa.

Os profissionais cubanos foram convocados de volta à ilha caribenha, mas cerca de 1,8 mil continuam no Brasil, segundo o cruzamento de dados da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), que firmou o contrato com Cuba para a vinda dos médicos.

Dois meses após o anúncio do fim da parceria, os cubanos que decidiram não voltar buscam meios de se manter e se regularizar. Levantamento feito pela Folha a partir de dados do Conare (Comitê Nacional para Refugiados) aponta aumento nos pedidos de refúgio da nacionalidade.

Em novembro, foram 321 pedidos. Já em dezembro, foram 400, quase o dobro de alguns dos meses anteriores, quando o número de solicitações variou entre 146 até 257 ao mês. Para comparação, nos últimos dois meses de 2017: 135 e 114 pedidos, respectivamente. 

Erramos: o texto foi alterado

Diferente do informado anteriormente, Laidys Sosa Ulloa Gonçalves, 37, trabalhou no programa Mais Médicos no interior da Bahia, não em Ribeirão Pires (SP). O texto já foi corrigido.
 

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