Nos últimos dez anos, 169 pontes e viadutos de SP ficaram sem reparos

De todas as 185 estruturas viárias, 16 receberam consertos; quatro obras foram após acidentes

Mariana Zylberkan
São Paulo

Nos últimos dez anos, a Prefeitura de São Paulo realizou obras de manutenção em 12 das 185 pontes e viadutos que existem na capital. Outras quatro intervenções foram feitas no mesmo período, mas em caráter emergencial, para reparar estragos causados por incêndio ou colisões violentas de veículos. 

A falta de manutenção das estruturas viárias ao longo dos anos ficou evidente em relatório elaborado por técnicos da prefeitura que apontou “risco iminente de colapso” devido à péssima condição de manutenção de seis pontes e viadutos, entre eles, as pontes Cidade Jardim, Cidade Universitária e Eusébio Matoso, na zona oeste, por onde circulam até 10 mil veículos por hora no horário de pico da manhã, o período mais movimentado. 

As seis estruturas viárias citadas de forma alarmante em ata de reunião se juntam a outras dez que foram consideradas em iguais condições e, por isso, de acordo com engenheiros da gestão do prefeito Bruno Covas (PSDB), demandam uma vistoria imediata e detalhada para apontar as deficiências e, assim, definir as intervenções necessárias. 

Segundo a prefeitura, estão nessa situação emergencial 16 pontes e viadutos. O número representa praticamente a metade do total de estruturas viárias vistoriadas desde o início do ano, 33.

"É um problema cultura de falta de manutenção de pontes e viadutos na cidade de São Paulo e no Brasil", disse o prefeito em entrevista a jornalistas nesta quarta-feira (6). 

De acordo com a Secretaria de Obras, porém, o teor alarmante da avaliação referente às seis primeiras pontes e viadutos publicado em ata de reunião se tratou de um “erro de redação”, e que a gestão Covas desconhece a real dimensão do risco diante da má conservação acumulada das pontes e viadutos.

Laudos individuais, porém, corroboram o perigo iminente diante da degradação das estruturas ao apontarem armaduras de ferro oxidadas e expostas, o que compromete a estabilidade, e problemas de infiltração no concreto. 

As vistorias tiveram início após a interdição do viaduto na marginal Pinheiros, em novembro do ano passado, quando uma parte da estrutura cedeu e criou um degrau de cerca de dois metros.  

As análises preliminares servem para embasar a contratação emergencial de empresas especializadas que irão emitir laudos detalhados sobre o estado de conservação dessas estruturas viárias.  Os primeiros resultados, porém, têm apontado para um cenário preocupante. 

Na última semana de janeiro, ponte na marginal Tietê, na região do Tatuapé, na zona leste, que dá acesso à rodovia Dutra, foi interditada imediatamente após vistoria em que técnicos constataram risco de colapso.

Nos últimos dez anos, 1 em cada 4 contratações feitas pela prefeitura para a manutenção de pontes e viadutos foram para sanar situações emergenciais, quando o uso das estruturas foi inviabilizado em decorrência de acidentes. 

Em 2011, a ponte dos Remédios passou por conserto depois que caiu uma parte da mureta de proteção.

Em 2017, os baixos do viaduto do Glicério, na região central, foram atingidos por um incêndio e a estrutura teve que ser reparada sob risco de desabamento. 

O mesmo aconteceu com o viaduto Pompeia, que teve a estabilidade comprometida pelo fogo que destruiu carros alegóricos da escola de samba Mocidade Alegre, armazenados debaixo do elevado. 

Em 2016, o viaduto Santo Amaro ficou cerca de seis meses em obras após ter sido atingido por um caminhão que entalou no concreto e, em seguida, pegou fogo. 

Segundo a gestão Covas, a Secretaria de Obras tenta realizar laudos estruturais em 33 pontes e viadutos desde 2017. A pasta atribui a dificuldade de contratação ao abandono do projeto pela gestão do ex-prefeito Fernando Haddad (PT), e também a questionamentos do TCM (Tribunal de Contas do Município), que barrou duas licitações. 

Nesta quarta-feira (6), decisão do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo determinou que pontes e viadutos pertencentes ao DER (Departamento de Estradas de Rodagem) e localizadas dentro dos limites municipais devem ter a manutenção realizada pela Prefeitura de São Paulo. 

A medida visa evitar situações como a que ocorreu durante as obras de recuperação do viaduto que cedeu na marginal Pinheiros em novembro. Por ter sido construído pelo órgão estadual, mas fazer parte da malha viária paulistana, o viaduto teve a manutenção transformada em um jogo de empurra entre as esferas de poder por mais de 20 anos até que a estrutura se rompesse. 

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