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Sem-teto invadem pátio de carros apreendidos da Prefeitura de SP

Moradores teriam cortado veículos e vendido partes como ferro-velho

Terreno da prefeitura que abrigava carros recolhidos e foi invadido na Vila Prudente
Terreno da prefeitura que abrigava carros recolhidos e foi invadido na Vila Prudente - Rivaldo Gomes/Folhapress
Regiane Soares Aline Mazzo
São Paulo | Agora

Um terreno da Prefeitura de São Paulo que era usado como depósito de veículos apreendidos é ocupado por diversas famílias que vivem em casas de alvenaria e algumas de madeira.

A área fica em frente ao número 1.530 da r. Guamiranga, na Vila Prudente (zona leste), mas a entrada da ocupação é pela r. Forte de São Bartolomeu.

Segundo moradores do local, o terreno começou a ser invadido há cerca de três anos. Na época, as carcaças dos veículos teriam sido cortadas em pedaços e deixadas na rua para que carroceiros levassem as peças para serem vendidas como ferro-velho.

“Todos os carros que estavam aqui foram removidos, cortados com machado pelos moradores, pois estava acumulando água e até deu um surto da dengue na época”, afirmou um pedreiro que trabalhava nesta segunda (18) no local, mas não se identificou. Ele disse que estava construindo uma casa para outra família morar, e que já construiu outras da ocupação.

Outro morador do local, que também não se identificou, ressaltou que o terreno pertence à prefeitura.
Um funcionário da Subprefeitura da Vila Prudente confirmou, por telefone, que o terreno abrigava mais de 200 veículos, entre eles algumas carcaças. Segundo disse, os carros que ainda estavam inteiros tiveram as peças de maior valor retiradas e vendidas pelos moradores, abrindo espaço para a construção de mais casas.

O funcionário disse ainda que a ocupação do terreno aumentou no segundo semestre do ano passado.
Nesta segunda, na calçada da rua Forte de São Bartolomeu, havia materiais de construção, como areia, blocos de cimento, tijolos, pedras e telhas. Era possível ver dezenas de casas, com dois ou até quatro pavimentos.

​Processo

A Prefeitura de São Paulo disse na noite desta segunda, por meio de nota, que “há um processo administrativo aberto” na Subprefeitura da Vila Prudente “para viabilizar a retomada do terreno”.

A gestão, porém, não respondeu porque não leiloou os veículos e o que fará com as famílias, se recuperar a área.

Carros abandonados em via pública têm sido um tema recorrente na Prefeitura de São Paulo. Reportagem do Agora mostrou que a gestão Bruno Covas (PSDB) recebeu, por meio do portal e do telefone 156, quase 29 mil pedidos para a remoção de carros abandonados em 2018, média de 79 solicitações por dia.

Do total, pouco mais de 11 mil pedidos foram atendidos ao longo do ano passado. Entre as solicitações, o tempo médio para que a prefeitura desse resposta ao solicitante foi de 64 dias.

Na ocasião, a gestão Covas disse que o desempenho das subprefeituras era resultado do esforço para resolver as solicitações represadas.

Outra reportagem, publicada em outubro de 2017, mostrou que a Subprefeitura da Vila Prudente estava com depósitos de veículos lotados e, por isso, estava sem recolher carros abandonados nas ruas da região havia mais de um ano, segundo funcionários da regional.

A reportagem mostrou que os depósitos, um pequeno da própria prefeitura, na rua do Oratório, e o outro, na rua Domingos da Silva Bueno, com maior capacidade, estavam cheios de veículos.

Na época sob a gestão João Doria (PSDB), a prefeitura disse “que o serviço de recolhimento de veículos abandonados em vias públicas nunca deixou de funcionar”.

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