Descrição de chapéu Tragédia em Brumadinho

Vizinhos de barragens ignoram riscos em São Paulo

Moradores de Perus desconhecem reservatórios avaliados como irregulares em inspeção

Mariana Zylberkan
São Paulo

"Tem barragem aqui?", respondeu, indignado, o autônomo Tiago Costa, 28, ao ser questionado sobre o reservatório de rejeitos de mineração a poucos metros da vizinhança onde mora, em Perus, na zona norte de São Paulo.

Assim como Tiago, a maioria dos moradores do Jardim Adelfiore ignora a presença de duas barragens dentro dos limites do distrito.

Próxima à casa de Tiago, a barragem de sedimentos pedreira Juruaçu é composta por dois reservatórios que recebem os rejeitos da extração de brita e areia. A poucos quilômetros dali fica outra barragem, de Clarificação, que extrai o mesmo tipo de material.

Imagens da Pedreira Juruaçu que fica localizada em Perus - Diogo Moreira/Folhapress

As duas estruturas têm potencial alto de dano em caso de rompimento, segundo a ANM (Agência Nacional de Mineração).

Técnicos do órgão federal inspecionaram as duas barragens em 2017 e constataram uma série de irregularidades.

No relatório, foi apontado que a pedreira Juruaçu não possuía o mapa de inundação, essencial para elaborar o plano de alerta para a população em caso de acidente. Em resposta ao órgão, a empresa Embu S/A atribuiu a falta do documento à topografia da barragem.

Em relação à barragem de Clarificação, a ANM constatou riscos de infiltração, sinais de erosões e falta de sistema de drenagem. Com isso, a agência mudou de baixo para médio a categoria de risco de rompimento da barragem.

A inspeção também classificou de forma mais crítica o dano causado por um possível rompimento. Antes considerado baixo, o nível subiu para alto depois que técnicos da ANM constataram que a administradora Territorial São Paulo Mineração S/A declarou em documento como inexistente a população a jusante da barragem, sendo que há comunidade de moradores no local.

Os laudos foram elaborados pela ANM em resposta a uma decisão liminar da Justiça Federal ajuizada em agosto de 2017. A decisão acatou pedido da Procuradoria da República em São Paulo para aumentar a fiscalização nas barragens de mineradoras na cidade de São Paulo após a tragédia em Mariana (MG).

Em nota, a ANM afirmou que a legislação não obriga as empresas a entregar o plano de ação de emergência à agência reguladora. A agência não respondeu se as empresas realizaram as adequações necessárias apontadas nos laudos técnicos elaborados em 2017.

A empresa Embu S/A afirmou em nota atestar a segurança da barragem que mantém em Perus. A empresa Territorial São Paulo Mineração foi procurada, mas não respondeu aos questionamentos.

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