Após atingir reserva florestal, fogo se alastra pela região sul da Bahia

Incêndio destruiu 30 campos de futebol da reserva Rio dos Frades, em Porto Seguro

Franco Adailton
Salvador

O incêndio florestal que atingiu a reserva Refúgio de Vida Silvestre do Rio dos Frades, desde 22 de fevereiro, em Porto Seguro, na Costa do Descobrimento, extremo sul da Bahia, se alastrou para uma propriedade privada na região conhecida como Vale dos Búfalos.

Mata queimada da reserva Refúgio de Vida Silvestre do Rio dos Frades, em Porto Seguro
Mata queimada da reserva Refúgio de Vida Silvestre do Rio dos Frades, em Porto Seguro - Corpo de Bombeiros da Bahia/Divulgação

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) estima que as chamas tenham consumido pelo menos 30 hectares, o equivalente a 42 campos oficiais de futebol, de 7.140 metros quadrados –1 hectare mede 10 mil metros quadrados. A extensão total do parque é de 894 hectares.

O fogo na reserva foi controlado na última quarta-feira (27), mas a chamas ainda continuam no distrito de Itaporanga devido à queima de matéria decomposta no solo, segundo o capitão do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia, Murilo Rocha. Ele coordena uma equipe com 18 profissionais da corporação.

“O distrito de Itaporanga sofreu bastante por causa da proximidade das chamas, além da fumaça, que provocou complicações respiratórias, segundo relatos dos moradores”, afirmou. “A região vive um período sem chuvas há cerca de 30 dias”.

Bombeiros trabalham para controlar fogo na reserva Refúgio de Vida Silvestre do Rio dos Frades, em Porto Seguro (BA)
Bombeiros trabalham para controlar fogo na reserva Refúgio de Vida Silvestre do Rio dos Frades, em Porto Seguro - Divulgação/Corpo de Bombeiros

Além dos Bombeiros, atuam na região técnicos do ICMBio, brigadas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), equipes do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia e servidores da prefeitura de Porto Seguro.

Dois aviões alugados pela Secretaria de Meio Ambiente da Bahia (Sema), com capacidade para 1.800 litros de água, cada, além de veículos dos bombeiros e tratores da prefeitura local, auxiliam os combatentes no trabalho de controle das chamas, informa Rocha.

“Trata-se de uma região de Mata Atlântica, o que dificulta o trabalho, por causa das árvores caídas pelo caminho”, disse Rocha. “Somado a isso, existe a questão do calor, das altas temperaturas, fortes ventos e baixa umidade do ar”.

Segundo o chefe da reserva, Tiago Pereira, apesar da seca da falta de chuvas na região há 30 dias, o incêndio pode ter relação com a atividade humana. “Muito provavelmente, a causa é antrópica, pois antes do incêndio atingir maiores proporções, pessoas foram vistas ateando fogo no lixo à beira da estrada”.

Além do dano florestal, diz ele, diversas espécies animais podem ter sido mortas pelo fogo, como cobras, lagartos, tatus, ninhos de aves, roedores, anfíbios e pequenos mamíferos. “Que são animais com deslocamento mais restrito, mais lento e até mesmo aqueles que habitam buracos e acham que se escondendo estarão protegidos do fogo”.

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