Descrição de chapéu Rio de Janeiro

Crivella diz que Rio é 'esculhambação completa' e gera desconforto com Witzel e PM

Prefeito fez críticas à Polícia Militar do Rio, ao Carnaval e ao VLT (Veículo Leve sobre Trilhos)

Rio de Janeiro

O prefeito carioca, Marcelo Crivella (PRB), gerou desconforto após dizer em um evento com servidores que o Rio de Janeiro "é uma esculhambação completa" e fazer críticas à Polícia Militar, ao Carnaval e ao VLT (Veículo Leve sobre Trilhos).

Em um café da manhã nesta terça (19) com 80 funcionários da Fundação Parques e Jardins, órgão municipal que constrói áreas verdes, Crivella afirmou: "Esse é o Rio de Janeiro. Esse é o nosso Rio de Janeiro. É uma esculhambação completa", segundo áudios divulgados pelo jornal "O Globo". 

Assessores teriam avisado antes da chegada do prefeito que seu discurso e um vídeo institucional exibido não poderiam ser filmados. Logo no início da fala, Crivella relacionou a violência na cidade com a corrupção política e policial, o que gerou reações da PM e do governador Wilson Witzel (PSC).

"Por que esses meninos [do tráfico] são tão fortes, tão valentes? [...] É porque quando o político rouba e fica rico, o comandante do batalhão também quer ficar rico. O coronel quer ficar rico. O tenente, o sargento querem ficar ricos. Aí eles sobem o morro para pegar o arrego [suborno]. O arrego é o troco da cocaína", disse o prefeito.


Em nota, o secretário de Polícia Militar, coronel Rogério Figueiredo, chamou as declarações de "absurdas". "A PM tem por tradição o compromisso de combater de forma intransigente os desvios de conduta de membros que optam por se aliar ao crime. São exceções, e não regra", afirmou.

Sem citar Crivella, Witzel também divulgou um vídeo defendendo a corporação. “Não admito, não aceito qualquer tipo de declaração leviana que coloque em dúvida a integridade moral da atuação de nossos comandantes, oficiais e praças. Os resultados estão mostrando que não temos relação com nenhuma organização de atividade criminosa."

CARNAVAL E VLT

Durante o evento, segundo a reportagem, o prefeito também introduziu uma fala sobre o Carnaval com a frase “veja só como a corrupção desgraça a gente”. Declarou que os custos da festa ao município são de R$ 70 milhões e em troca “a prefeitura ganha uma banana”.

Ele ainda se referiu ao VLT, tipo de bonde que circula pelo centro do Rio --cujo contrato tem causado uma briga entre a prefeitura o consórcio que o administra--, como "porcaria".

O prefeito estimou que o município terá que gastar R$ 5 bilhões em 25 anos para cobrir o déficit de cerca de 200 mil passageiros que eram esperados mas não usam o transporte. 

"Eu tenho 1.500 escolas precisando de reforma. Eu tenho hospitais precisando de... Como é que eu vou fazer isso? Isso é maluquice. Isso é doideira. Como é que eu vou garantir que tem que ter passageiro no [...] VLT? Quanto custou aquela porcaria? R$ 1 bilhão”, disse.

Em nota, o VLT Carioca disse lamentar que Crivella use o discurso político para "desqualificar um projeto que faz parte da revitalização da região central da cidade" e afirmou que o sistema conecta todos os modais e transporta mais de 80 mil pessoas por dia.

"O descumprimento das contrapartidas contratuais previstas pela prefeitura gera insegurança jurídica para investimentos na cidade e a falta de pagamento desde maio de 2018 pode causar a paralisação do VLT", afirmou.

OUTRO LADO

Na tarde desta quarta, após a repercussão dos áudios, a prefeitura divulgou um comunicado dizendo que as declarações do prefeito --"a servidores, portanto com dezenas de testemunhas"-- foram "completamente descontextualizadas".

Sobre a corrupção política e policial, ele afirmou que se referia a uma minoria. "Não houve em um momento sequer ataque à instituição da Polícia Militar, e sim à minoria de maus profissionais que macularam a imagem da instituição centenária."

Sobre o VLT, disse que não criticou o serviço, e sim o contrato. "A responsabilidade de garantir demanda por parte do município que é, sim, uma 'porcaria' e consta no contrato assinado entre a gestão passada e o consórcio operador." Os recursos gastos, completou, "farão muita falta para cuidar da cidade e nas áreas de saúde e educação".

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