Descrição de chapéu Alalaô

Desfile de máscaras deve levar 100 mil às ruas de Maragojipe (BA)

Adereços são feitos de forma artesanal com materiais como papel higiênico, farinha e cola

Foliões mascarados no Carnaval de Maragojipe (BA) em 2018
Foliões mascarados no Carnaval de Maragojipe (BA) em 2018 - Divulgação/Prefeitura de Maragojipe
Marcelo Toledo
Ribeirão Preto (SP)

A costureira Nilmaci Reis está empolgada com o Carnaval. Não só por conta da folia que toma conta de sua cidade, Maragojipe (BA), nesses dias, mas também por projetar um desfile de máscaras mais lucrativo que o do ano passado.

O tradicional evento, tombado como patrimônio imaterial da Bahia há dez anos, deve levar 100 mil pessoas às ruas da cidade baiana até terça-feira (5). A Secretaria de Cultura e Turismo estima que 30 mil dos 46 mil habitantes locais participem de alguma forma do Carnaval.

Xeiques, palhaços, pierrôs, arlequins, bonecos de neve, caveiras e até fantasias inspiradas em filmes como “V de Vingança” são temas comuns para as máscaras na folia local.

​Nilmaci produziu cerca de 200 máscaras para a folia, confeccionadas com materiais como papel higiênico, farinha de trigo e cola, além de fantasias de pierrôs. “Modelamos em formas e fazemos os rostos de pessoas ou animais, em vários tamanhos. A procura está bem maior que no ano passado. O Carnaval vai bombar”, disse.

Essa produção artesanal tem como objetivo abastecer foliões como a professora paulista Maria Cláudia Oliveira, que serão recebidos diariamente por bandas carnavalescas no centro histórico da cidade.
“Todo ano vou ao Carnaval de Salvador e sempre quis ir a Maragojipe, justamente por ser diferente do convencional, digamos. Acho que vou gostar e recarregar a pilha para curtir Salvador de novo depois”, disse ela, que deverá ir a Maragojipe neste domingo.

Há registros de 1827 da comemoração do Carnaval em Maragojipe –com J, segundo a tradição e órgãos públicos locais, e com G, conforme o IBGE, disputa que pode até ser alvo de um futuro plebiscito.

No início, as máscaras eram feitas de papel machê, mas ele foi substituído com o tempo por sacos de pão devido à escassez de renda no município do Recôncavo Baiano.

“O Recôncavo esconde muito a sua pobreza com as festas. Ainda é uma região muito pobre, mas as pessoas sabem ser felizes. Quando Caetano Veloso fala que gente nasceu para brilhar, não para morrer de fome, é isso”, disse Francisco Gomes da Silva Filho, secretário de Cultura e Turismo da cidade baiana.
Do público esperado em cada dia, a expectativa é que 30% sejam turistas, a maioria que também viajou a Salvador para o Carnaval. São esperados 600 estrangeiros por dia.

Iniciado à 0h deste sábado (2) com o desfile do Bloco das Almas, o Carnaval de Maragojipe terá atrações na praça dos Mascarados até a noite de terça-feira (5). Na Arena Carnavalesca, a folia prosseguira até as 4h de quarta (6).

O Bloco das Almas é o primeiro a desfilar por ter a missão de fazer uma espécie de ritual de purificação das ruas para os quatro dias de folia.

Neste sábado, a praça abrigará o tradicional baile carnavalesco com a Orquestra Popular da Bahia, às 20h.

No domingo (3), a folia começará com a Orquestra Maragojipana de Frevos e Marchinhas, às 13h, e prosseguirá o dia todo. Às 16h, haverá concurso de fantasias e máscaras.

Nova edição do concurso está prevista para segunda-feira (4), às 16h30, dia que abrigará também um baile infantil e apresentações de mais duas orquestras carnavalescas. A premiação do concurso ocorrerá na terça (5), às 17h30.

O folião que chegar em cima da hora não precisa se preocupar. É possível comprar máscaras com preços a partir de R$ 25. Há ainda as emborrachadas –muitas das quais representam políticos–, que são industriais e custam a partir de R$ 50. Mas elas são minoria no Carnaval local, dominado pela tradição histórica.

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