Descrição de chapéu Alalaô

Filhos de Gandhy estreia polêmica fantasia dourada em Salvador

Bloco tradicional percorreu Pelourinho com 5.000 associados na tarde de domingo

Salvador

O famoso "tapete branco" formado pelos Filhos de Gandhy em Salvador ganhou um tom a mais no Carnaval deste ano.

Pela primeira vez, além das tradicionais cores branco e azul, a fantasia também possui tons dourados. A novidade é uma homenagem aos 70 anos que o maior afoxé da Bahia completa neste Carnaval.

Bloco filhos de Gandhy seguiu cortejo pelo Pelourinho, em Salvador
Bloco filhos de Gandhy seguiu cortejo pelo Pelourinho, em Salvador - João Pedro Pitombo/Folhapress

A mudança na cor da fantasia, contudo, desagradou uma parte dos associados mais tradicionalistas do bloco fundado por estivadores em 1949 em homenagem ao líder pacifista indiano Mahatma Gandhi. 

De mancha de mostarda a bananas de pijamas, não faltaram apelidos para a nova fantasia do afoxé Filhos de Gandhy neste Carnaval

“Oxalá, não tem nada a ver com cor de mostarda. A diretoria tem que entender que o Filhos de Gandhy é como uma religião, um culto. Tem que respeitar as tradições”, reclamou o músico Joseni Santos, 45.

O professor Carmoly Filho, 44, levou um estandarte com sua mensagem de protesto no qual afirma que o “tapete branco da paz” se tornou o “carpete amarelo da vergonha”.

Em tom de galhofa, ele diz que no próximo ano o afoxé vai adotar “abadá, mamãe sacode e cantor de arrocha”. 

Criador da fantasia, o artista plástico e carnavalesco Alberto Pitta, diz que usou o dourado para associar o Gandhy a uma joia, homenagear a orixá Oxum e remeter às cores do antigo afoxé Badauê, que tinha como dirigente o mestre Moa do Katendê, morto na eleição do ano passado após uma discussão política. 

Além da fantasia amarela, parte dos associados também reclamaram do calçado adotado este ano: a tradicional sandália branca foi trocada por um calçado estilo Crocs. 

“Nada contra, é um calçado ótimo se você trabalha num hospital. Mas para os Filhos de Gandhy não tem sentido”, disse Carmoly.

Esta não é a primeira vez que o Filhos de Gandhy adota uma novidade que gera polêmica entre seus associados. Em 2006, o afoxé saiu com uma fantasia com turbante azul, que desde então não mais foi adotado. 

Neste domingo (3), Filhos de Gandhy iniciou o seu desfile por volta das 17h, no Pelourinho, de onde seguiria pela rua Chile e avenida Carlos Gomes em direção ao Campo Grande. Cerca de 5.000 associados participam do cortejo.

Antes do início do desfile, os associados do afoxé participaram da cerimônia do padê, ritual no qual se pede licença e proteção a Exu, o orixá da rua, com rezas, cânticos e banhos de milho branco. 

Com 70 anos, o Filhos de Gandhy é tido como o principal afoxé do Brasil e leva para a avenida os rituais, roupas, adereços, danças e cânticos do Candomblé. Suas guias azuis e brancos representam os orixás Oxalá e Ogum. 

O afoxé volta a desfilar nesta segunda (4), no circuito Barra-Ondina, e na terça-feira (5) no Campo Grande.

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