Descrição de chapéu Alalaô

Máscaras são tradição no Carnaval de cidade baiana

Desfiles e concursos devem levar cerca de 100 mil pessoas às ruas de Maragojipe, na região do recôncavo

Marcelo Toledo
Ribeirão Preto (SP)

A costureira Nilmaci Reis está empolgada com o Carnaval. Não só por conta da folia que toma conta de sua cidade, Maragojipe (BA), nesses dias, mas também por projetar um desfile de máscaras mais lucrativo que o do ano passado.

O tradicional evento, tombado como patrimônio imaterial da Bahia há dez anos, deve levar 100 mil pessoas às ruas da cidade baiana até terça-feira (5). A Secretaria de Cultura e Turismo estima que 30 mil dos 46 mil habitantes locais participem de alguma forma do Carnaval.

Xeiques, palhaços, pierrôs, arlequins, bonecos de neve, caveiras e até fantasias inspiradas em filmes como “V de Vingança” são temas comuns para as máscaras na folia local.

Nilmaci produziu cerca de 200 máscaras para a folia deste ano —foram confeccionadas com materiais como papel higiênico, farinha de trigo e cola. A costureira também tratou de aprontar fantasias de pierrôs. “Modelamos em formas e fazemos os rostos de pessoas ou animais, em vários tamanhos. A procura está bem maior que no ano passado. O Carnaval vai bombar”, afirma.

Essa produção artesanal tem como objetivo abastecer foliões que serão recebidos diariamente por bandas carnavalescas no centro histórico da cidade.

São pessoas que vão de longe também, como a professora paulista Maria Cláudia Oliveira. “Todo ano vou ao Carnaval de Salvador e sempre quis ir a Maragojipe, justamente por ser diferente do convencional, digamos. Acho que vou gostar e recarregar a pilha para curtir Salvador de novo depois”, diz ela, que deverá ir a Maragojipe neste domingo.

Há registros de 1827 da comemoração do Carnaval em Maragojipe –com G, conforme o IBGE, e com J, segundo a tradição e órgãos públicos locais, disputa que pode até ser alvo de um futuro plebiscito na cidade.

No início, as máscaras eram feitas de papel machê, mas ele foi substituído com o tempo por sacos de pão devido à escassez de renda no município do recôncavo baiano.

“O recôncavo esconde muito a sua pobreza com as festas. Ainda é uma região muito pobre, mas as pessoas sabem ser felizes. Quando Caetano Veloso fala que gente nasceu para brilhar, não para morrer de fome, é isso”, afirma Francisco Gomes da Silva Filho, secretário de Cultura e Turismo da cidade baiana.

Do público esperado em cada dia, a expectativa é que 30% deles sejam turistas, a maioria que também deve viajar a Salvador para passar o Carnaval. São esperados 600 estrangeiros por dia em terras maragogipanas.

Iniciado à 0h de sábado (2) com o desfile do Bloco das Almas, o Carnaval de Maragojipe terá atrações na praça dos Mascarados até a noite da próxima terça-feira (5). 

Na Arena Carnavalesca, no entanto, a folia prosseguira até as 4h de quarta (6).

O Bloco das Almas é o primeiro a desfilar por ter a missão de fazer uma espécie de ritual de purificação das ruas da cidade para os quatro dias de folia.

No sábado, a praça abriga o tradicional baile carnavalesco com a Orquestra Popular da Bahia, às 20h.

No domingo (3), a folia começará com a Orquestra Maragojipana de Frevos e Marchinhas, às 13h, e prosseguirá o dia todo. Às 16h, haverá concurso de fantasias e máscaras.

Uma nova edição do concurso está prevista para segunda-feira (4), às 16h30, dia que abrigará também um baile infantil e apresentações de mais duas orquestras carnavalescas. A premiação do concurso ocorrerá na terça-feira (5), às 17h30.

O folião que chegar em cima da hora não precisa se preocupar. É possível comprar máscaras a partir de R$ 25. Há ainda as emborrachadas —muitas das quais representam políticos—, que são industriais e custam a partir de R$ 50.

Em Maragojipe, porém, essas são minoria no Carnaval, dominado pela tradição histórica.

 
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