Descrição de chapéu Alalaô

Mistura de gêneros musicais dá o tom da segunda de Carnaval no Rio

Ao som de Raça Negra e de Beatles, blocos ironizam culto ao corpo e fazem campanha antiassédio

Rio de Janeiro

Do pagode à fanfarra, teve bloco para todos os gostos nesta segunda (4) de Carnaval no Rio de Janeiro. Após intensa tempestade na noite de domingo (3), foliões aproveitaram os desfiles sob mormaço e sem chuvas.

Na Praça Mario Lago, no centro do Rio, o Carnaval foi no ritmo do di-di-di-di-di-di-ê. O Que Pena, Amor revisitou os clássicos do pagode brasileiro dos anos 1990.

O nome faz referência a um trecho de "É Tarde Demais", do grupo Raça Negra, uma das músicas mais tocadas nas rádios brasileiras naquela década.

Já no Carnaval Psicodélico do bloco Trombetas Cósmicas, foi a vez da fanfarra tomar conta das ruas da Urca, na zona sul da cidade.

No Bunytos de Corpo, na Tijuca, na zona norte, foliões vestidos com roupas de ginástica pularam corda e fizeram flexões ao som de músicas dos anos 80 e 90. 

À tarde, no Sargento Pimenta, clássicos dos Beatles foram transformados em batidas carnavalescas. A multidão ocupou o aterro do Flamengo, na zona sul, cantando hits como All We Need is Love, A Hard Day's Night e She Loves You.

O bloco, por sinal, vai lançar campanha para trazer o ex-beatle Ringo Starr ao Brasil em 2020. O grupo quer levar o baterista ao décimo desfile do bloco.

Para Leandro Donner, 30, guitarrista e um dos fundadores do Sargento Pimenta, o percussionista Ringo sempre foi o mais carnavalesco dos Beatles.

Nesta segunda, também não ficou de fora a crítica política dos dias anteriores. No Trombetas Cósmicas, foliões entoaram o tradicional "Lula livre". 

Durante o cortejo, a publicitária Larissa Aragão, 28, vendeu brincos inspirados na ministra Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos). Os brincos "menino rosa" e "menina azul" ironizavam a fala da ministra sobre meninas vestirem tons róseas, e meninos, azulados.

Memes de internet, como sempre, serviram de inspiração para fantasias. Além da "barbie fascista", figurinha carimbada deste Carnaval, foliões também se fantasiaram de "piscininha, amor", "plenas", "fadas sensatas" e "Jenifers", musa de um dos hits da folia. 

O estudante de relações internacionais Sérgio Thomaz, 26, veio de meme "Dessa água não beberei", viral no Twitter.

"Quando você está com uma placa, todo mundo para pra ler", disse. "Se você está solteiro e quer ficar com alguém, se rolar um contato, um olhar, alguma coisa, parte pro abraço."

Se houver consentimento, é claro. Buscando combater o assédio, a campanha Não é Não entrou no terceiro ano seguido neste Carnaval. 

O lema contra o assédio sexual circulou em muitos adesivos de pele e em leques de papel nesta segunda, no Que Pena, Amor. Nos arcos enfeitados sobre as cabeças, havia outros slogans, como Grl Pwr (Girl Power) ou Empoderada.

Mas, segundo a estudante Isabela Pereira, 20, ainda é comum ouvir brincadeirinhas com o tema. "Um monte de homem passa mexendo como se fosse engraçado, uma piada. Isso aconteceu várias vezes comigo e com todas as minhas amigas", diz a aluna de relações internacionais. "Eu acho ridículo, porque é uma campanha séria."

A estudante de relações internacionais Isabela Pereira, 20, com o slogan da campanha
A estudante de relações internacionais Isabela Pereira, 20, com o slogan da campanha - Luis Costa/Folhapress
Ana Luiza Albuquerque, Anna Virginia Balloussier e Luís Costa
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