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Náufragos sobrevivem 3 dias em ilha em SP com banana e água de chuva

Barco do grupo virou perto de Peruíbe; dois ainda estão desaparecidos

Patrícia Pasquini
São Paulo | Agora

Quatro náufragos foram resgatados na ilha da Queimada Grande, em Itanhaém (a 116 km de SP), no sábado (2). Segundo a Marinha, os pescadores esportivos ficaram sozinhos na ilha após o barco em que estavam com mais dois amigos ser atingido por uma forte onda e afundar entre a noite de quarta (27) e a madrugada de quinta-feira (28) da semana passada.

Os outros dois homens estavam desaparecidos até a noite deste domingo (3). A Marinha e os bombeiros faziam buscas.

Na ilha, os quatros pescadores comeram banana verde e tomaram água de chuva.

Dez pessoas numa lancha, alguns sentados, outros de pé. Os de pé vestem roupas de mergulho
Pescadores resgatados (sentados, três homens sem camisa e um de regata branca), no barco com a equipe de mergulhadores que os encontrou - Reprodução/G1

Os resgatados são Ivan Bezerra da Silva, Manoel Câmara, Iranildo Rodrigues Cardial e Elenilson Nascimento da Silva. Os nomes dos dois desaparecidos não foram informados pela Marinha.

Conforme a Marinha, a embarcação Odelmar 2 saiu de Santos (a 72 km de SP) com as seis pessoas. Por causa do mau tempo, seguiria para a ilha. Quando estava a cerca de 10 km de lá, uma onda atingiu a lateral do barco, que virou e afundou.

Não houve tempo para pedir ajuda ou pegar os coletes salva-vidas. Um oficial da Marinha explicou à reportagem que a correnteza deve ter colaborado para que o grupo chegasse até a ilha a nado.

O instrutor de mergulho Wanderley Aparecido Justi Júnior, 31, ajudou no resgate dos turistas. Ele chegou perto da ilha no sábado de manhã para mergulhar com um grupo de oito pessoas. À tarde, resolveram ir para o outro lado, quando os náufragos foram vistos e acabaram levados para o barco.

Em nota, a Marinha do Brasil, por intermédio da Capitania dos Portos de São Paulo, afirmou que um inquérito será aberto para apurar as causas do acidente e possíveis responsabilidades.

Responsável pelo resgate, Wanderley contou que os turistas estavam muito emocionados e cansados quando foram resgatados.

“Eu fiquei em choque. Eles pularam na água em direção ao nosso barco”, conta.

Um dos mergulhadores gravou um vídeo no momento do salvamento. As imagens mostram os pescadores pulando na água apressados e os tripulantes pedindo calma.

“Calma, calma. Está tudo bem agora”, disse um dos mergulhadores na gravação. “O mais difícil já passou”, afirmou outro.

Segundo Wanderley, os homens foram colocados a bordo um por um. “Nós distribuímos água e lanches. Depois, ligamos para a UPA [Unidade de Pronto-Atendimento] de Itanhaém, que nos orientou a acionar o Samu [Serviço de Atendimento Móvel de Urgência]. Também avisamos a Marinha”, afirmou. A ambulância aguardou a chegada do grupo, que passou por atendimento médico e teve alta à noite.

Vista aérea da ilha, uma porção de terra comprida, estreita em uma ponta e alta na outra
A ilha de Queimada Grande, no litoral do estado de São Paulo - Marcelo Duarte - 27.nov.2010/Divulgação

O instrutor contou que todos apresentavam ferimentos. “Eles tinham cortes nas pernas. Um deles estava com os pés inchados e outro sentia dores nas costelas ao respirar. Provavelmente, foram ferimentos causados pelas tentativas de subir nas pedras para entrar na ilha”, afirmou Wanderley.

O mergulhador afirmou que, durante a permanência na ilha, os pescadores disseram ter improvisado um abrigo com vegetação.

“Eles falaram que nadaram da noite até o amanhecer. Na ilha, contaram que ficaram abraçados para não passarem frio, e que comeram banana verde e bebiam água da chuva”, afirmou.

A ilha da Queimada Grande faz parte do município de Itanhaém. O local é conhecido como um habitat natural de serpentes, considerado o segundo maior do mundo em concentração desses animais, segundo informações da Prefeitura de Itanhaém.

Lá vive uma das cobras mais venenosas do mundo, a jararaca-ilhoa. A espécie tem veneno de 12 a 20 vezes mais forte que o das jararacas continentais, também segundo a Prefeitura de Itanhaém. A picada mata uma pessoa em seis horas.

O desembarque na ilha é proibido. Em 2018, o farol, mantido pela Marinha, passou a ser operado por equipamentos quando os funcionários tiveram de deixar a ilha por terem sido atacados pelas cobras.

Não existe água potável. O nome Queimada Grande foi dado por pescadores, que ateavam fogo na mata para espantar as serpentes.

Erramos: o texto foi alterado

A reportagem afirmava, incorretamente, que a ilha da Queimada Grande pertence a Peruíbe. Na verdade, ela faz parte de Itanhaém. O texto foi corrigido.

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