Obras no Ipiranga se arrastam há 4 anos e já custaram R$ 50 mi

Construção de dois piscinões deveria ter sido concluída em março de 2017

Mariana Zylberkan
São Paulo

As cenas de móveis, carros e eletrodomésticos sendo arrastados pela enxurrada no entorno do córrego Ipiranga na madrugada desta segunda (11) são o reflexo mais concreto do atraso na entrega de obras anti-enchente na zona sul, contratadas pela prefeitura há quatro anos.

A construção de dois piscinões deveria ter sido concluída em março de 2017 ao custo de R$ 159,8 milhões, segundo contrato assinado como consórcio FBS/Coveg em 2015. Um aditamento no contrato estendeu em mais dois anos o prazo.

Desde a assinatura do contrato, o custo das obras para os cofres municipais teve reajustes de cerca de 20% e passou para R$ 187,2 milhões, de acordo com atualização mais recente feita no mês passado.

Segundo a gestão Bruno Covas (PSDB), a entrega está atrasada por causa da administração anterior, de Fernando Haddad (PT), que ordenou apenas a execução do projeto em 2015, mas não as obras, além de não ter feito o licenciamento ambiental exigido.

As obras já consumiram R$ 48,9 milhões em repasses aos consórcios desde 2015. Segundo a prefeitura, até o momento foram finalizadas as paredes do piscinão na av. Aliomar Baleeiro.

O segundo piscinão, próximo à rodovia dos Imigrantes, ainda está em fase de desapropriação. O novo cronograma prevê a conclusão das obras do primeiro no segundo semestre.

O córrego é um dos campeões de extravasamentos na capital. Nos últimos três meses, o Ipiranga transbordou 12 vezes —média de uma ocorrência por semana.

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