Polícia identifica adolescente como terceiro suspeito de massacre em Suzano

Jovem de 17 anos teria participado de elaboração do crime na escola

Rogério Pagnan
São Paulo

Outro adolescente de 17 anos é suspeito de participar do planejamento do massacre na escola estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, na Grande São Paulo, na quarta-feira (13), segundo o delegado-geral da Polícia Civil, Ruy Ferraz Fontes.

O delegado afirmou nesta quinta-feira (14), que a polícia pediu à Justiça a apreensão do adolescente. "Nós temos dados que nos fazem crer que esse indivíduo participou, pelo menos, da fase de planejamento", disse. 

O ataque foi realizado por Guilherme Taucci Monteiro, 17, e Luiz Henrique de Castro, 25. Ambos eram ex-alunos da escola em Suzano. 

Guilherme Taucci de Monteiro, 17, posta fotos com arma antes de ataque a tiros em Suzano
Guilherme Taucci de Monteiro, 17, posta fotos com arma antes de ataque a tiros em Suzano - Reprodução/Facebook

Cinco estudantes e duas funcionárias foram mortos. Outras 11 pessoas ficaram feridas. Antes de cometerem esses assassinatos, eles mataram o dono de um lava jato, tio do mais novo.

O crime teria sido planejado há cerca de um ano e meio e quando a polícia entrou na escola, suspeita-se que Guilherme matou Luiz Henrique, e cometeu suicídio.

Segundo a polícia, o novo suspeito era colega de classe de Guilherme. A investigação chegou até ele por indicação de colegas de classe, que afirmaram que ele e Guilherme eram muito próximos e, dias antes do massacre, o suspeito havia manifestado o desejo de entrar na escola atirando.

Os policiais acreditam que o plano seria executado pelos dois, mas, por motivos ainda desconhecidos, o adolescente, que teve a apreensão pedida, acabou excluído da ação. Isso também revela que Guilherme seria o líder.

Fontes disse que a investigação vai tentar descobrir, agora, porque o novo suspeito não participou do ataque. "Ele não revelou esse motivo, mas nós vamos tentar descobrir", disse o delegado-geral.

Os policiais acreditam que Guilherme, já sem o comparsa, teria procurado Luiz Henrique para que este pudesse financiar o plano. Como tinha emprego regular, ele teria recursos para comprar as armas e alugar o veículo usado no dia dos assassinatos.

A polícia também apura se o mais velho tinha algum déficit cognitivo. "A gente entende que a personalidade dele não era tão firme a ponto de impedir ou deixar de ingressar na execução de um crime desse, principalmente liderado por uma pessoa que era pelo menos sete anos mais nova do que ele."

Segundo o delegado, os assassinos se inspiraram no massacre de Columbine, ocorrido em 1999, nos Estados Unidos, mas queriam ser ainda mais cruéis. "Eles queriam demonstrar que podiam agir como aconteceu em Columbine, com crueldade e com caráter trágico, para que eles fossem mais reconhecidos do que aqueles", disse Fontes.

A dupla usou um revólver, carregadores, uma besta, um machado, uma machadinha, coquetéis molotov e granadas de fumaça. As roupas usadas seriam inspiradas no jogo de videogame Call of Duty, episódio Ghosts, um jogo de tiro em primeira pessoa.

O crime ocorreu em meio ao debate sobre posse de armas e chama a atenção por ter sido cometido em dupla e longamente planejado. 

Na quarta-feira, o presidente Jair Bolsonaro lamentou o atentado seis horas após o ocorrido. Nesta quinta, em transmissão pela internet, disse que o atentado era uma barbaridade e que não é possível entender como os criminosos chegaram ao ponto de terem cometido o crime.

 

VELÓRIOS

Nesta quinta, ​as famílias de funcionárias e alunos mortos no massacre da escola velam as vítimas na Arena Suzano, no Parque Max Feffer. 

O velório coletivo começou às 7h entre abraços, choros, sussurros e crianças pequenas que acompanham os pais, no ginásio poliesportivo que fica a menos de um quilômetro da escola, palco dos ataques

Milhares foram ao local prestar homenagens, formando uma grande fila do lado de fora. Alguns familiares chegaram a passar mal, sendo atendidos em ambulâncias

O ministro da Educação, Ricardo Vélez, o secretário estadual da Educação Rossieli Soares e o prefeito de Suzano, Rodrigo Ashiuchi, passaram pelo velório.

O movimento de pessoas que não são das famílias foi grande na Arena circundada por dezenas de coroas de flores. Elas ficaram isoladas por uma grade que as separava dos familiares —os únicos próximos aos corpos. 

Foram velados os estudantes Cleiton Antonio Ribeiro, 17; Caio Oliveira, 15; Samuel Melquiades Silva de Oliveira, 16; e Kaio Lucas da Costa Limeira, 15.

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