Descrição de chapéu Alalaô

Rainhas na pipoca, tributo a capoeirista e gritos contra Bolsonaro: como foi o 1º dia do Carnaval em Salvador

Claudia Leitte, Daniela Mercury e Baiana System foram os destaques na estreia da folia baiana

Franco Adailton
Salvador

A estreia oficial do desfile de trios elétricos no Carnaval baiano foi marcada pela presença das rainhas do axé Claudia Leitte e Daniela Mercury na pipoca – concentração de foliões fora das cordas –, no centro de Salvador (BA), nesta quinta-feira (28).

O início da folia teve referências ao capoeirista Moa do Katendê, assassinado no ano passado após discussão política durante o período pré-eleitoral e à vereadora Marielle Franco, assassinada no Rio em março do ano passado. Gritos contra o presidente Jair Bolsonaro (PSL) também marcaram o dia. As manifestações ocorreram durante o desfile do bloco Baiana System. 


O circuito foi tomado por público majoritariamente LGBTQI, além dos simpatizantes, fãs das cantoras Claudia Leitte e Daniela Mercury, cujo trio exibia no painel mensagens contra a homofobia, o racismo e o machismo. 

Grávida de quatro meses, Claudia surgiu no desfile na Barra por volta das 19h, vestida com uma fantasia da personagem Capitã Marvel. Já Daniela arrastou o trio logo na sequência, às 19h45, com um tom mais provocativo.

“Vamos de rosa ou azul?”, perguntou, em clara ironia à declaração da ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves. “Vamos provar que nada está proibido nesse país”, declarou a cantora, que é casada há cinco anos com a jornalista Malu Verçosa.

A provocação da cantora ocorreu em meio à canção “Proibido Carnaval”, parceria com Caetano Veloso, que faz alusão à mesma declaração de Damares.

Na multidão, o que imperava era a criatividade dos foliões, que levaram para o circuito uma diversidade de fantasias: anjos, diabinhos, marinheiros, piratas, super-heróis, personagens de jogos de videogame e cheerleaders, por exemplo.

 
 


A sequência de desfiles deixou o público com o coração divido, a exemplo do cabeleireiro Marcos Oliveiro, 39, que, primeiro foi atrás de “Claudinha”, mas voltou “correndo para os braços de Daniela”, que se assume como musa da comunidade LGBTQI, enquanto a primeira já esteve envolvida em declarações polêmicas sobre o público gay.

“Assim não dá. Obrigaram a gente escolher entre uma e outra. Deveriam ter dado um intervalo maior. Por isso, tive que voltar para minha rainha [Daniela], como um súdito fiel que sou”, brincou o soteropolitano.

Mas não apenas a comunidade gay seguiu os dois desfiles. Familiares e amigos também se uniram à multidão para apoiá-la. “A sociedade tem que entender que o mundo mudou, que nem todo mundo é igual.

Se a família não apoiar, quem vai fazer?”, indagou a pedagoga Inês Silva, 46 anos, mãe de uma jovem lésbica.

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