São Paulo tem mais quatro delegacias da mulher abertas 24 h a partir desta sexta

Em inauguração, Doria criticou governos anteriores de seu partido

Marina Estarque
São Paulo

Quatro DDM (Delegacias de Defesa da Mulher) vão passar a ter atendimento 24h em São Paulo a partir desta sexta-feira (8): as DDMs 2ª (Sul), 6ª (Santo Amaro), 7ª (Itaquera) e a 8ª (São Mateus). 

Em 2016, São Paulo se tornou o primeiro estado a ter uma delegacia da mulher funcionando 24 horas. A unidade fica localizada na região da Sé, no centro da capital. 

O serviço 24h em mais quatro DDMs foi anunciado nesta sexta, Dia Internacional da Mulher, pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB), em evento com o secretário de segurança pública, o general da reserva João Camilo Pires de Campos, e o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB). 

Foi inaugurada também a nova sede da 6ª DDM, na rua Padre José de Anchieta, 138, em Santo Amaro, zona sul da cidade.

 
O governador João Doria na inauguração de Delegacia da Mulher em Santo Amaro, zona sul de São Paulo
O governador João Doria na inauguração de Delegacia da Mulher em Santo Amaro, zona sul de São Paulo - Divulgação

O governador já havia anunciado em janeiro que iria implantar o horário estendido em três unidades, após ser alvo de pressão por ter vetado um projeto de lei aprovado na Assembleia Legislativa que previa funcionamento 24h de todas as delegacias da mulher do estado. 

Questionado se a ampliação do horário não teria sido mais rápida se ele tivesse sancionado a lei, Doria disse que isso não era possível. “Se o mundo fosse simples assim, seria muito fácil. Estala o dedo, assina o decreto, puf, o mundo muda. Mas não é assim. Precisa ter delegado, escrivão, espaço... Por que nós temos delegacia da mulher há 38 anos e só tinha uma DDM 24h? Não fizeram porque não é fácil”, respondeu. 

O projeto de lei era de autoria da deputada Beth Sahão (PT). O texto previa o funcionamento ininterrupto de todas as delegacias de defesa da mulher, incluindo sábados, domingos e feriados. O texto foi apresentado em 2017 e aprovado por unanimidade no dia 5 de dezembro do ano passado. 

Na época, para justificar o veto, o governo disse que a matéria era "peculiar à organização administrativa" e que a proposta “interfere em domínio exclusivo do chefe do Poder Executivo”. 

No evento nesta sexta, Doria afirmou que, até o final do mês, 10 DDMs vão ter atendimento 24 horas. “Até o final do mandato serão 40 delegacias da mulher 24 horas por dia. Esse foi meu compromisso de campanha”, afirmou. 

Bruno Covas anunciou a criação da Inspetoria de Defesa da Mulher da Guarda Civil Metropolitana (GCM) e a nomeação da inspetora superintendente Elza Paulina de Souza. 

“Ela vai ser a primeira mulher a comandar a GCM aqui na cidade de São Paulo”, afirmou Covas. Sobre a inspetoria, disse que vai colocar pelo menos uma viatura da GCM em cada delegacia da mulher da cidade. Segundo ele, a GCM vai ter uma equipe especializada para atuar na prevenção da violência contra a mulher e na verificação das medidas previstas na Lei Maria da Penha.

São Paulo tem 133 Delegacias de Defesa da Mulher. O número representa 35,8% das delegacias do tipo em todo o país.

 

​Doria aproveitou para criticar governadores anteriores. O ex-governador Geraldo Alckmin é seu colega de partido. “A ação é conjunta, não temos mais ação desintegrada. Por isso que a polícia está funcionando melhor. O que que faltava? Gestão, boa gestão. As equipes estão aí, os profissionais são os mesmos, faltava era comando”.  

Continuou o discurso afirmando que faltava “capacidade de comandar”. “Este grupo da polícia, sob a liderança do general Campos, se reúne com o governador toda semana. Nunca houve isso na história de São Paulo”. 

“É assim que nós vamos fazer um país melhor, com mulheres no comando, com mulheres sendo respeitadas e tendo seus direitos preservados. Esse é o nosso dever. E, em São Paulo, as mulheres em primeiro lugar”, disse.

Nesse momento, se irritou com o público, que estava conversando: “pessoal que está batendo papo aí, vocês vão ter tempo para bater papo”. 

Perguntado sobre o caso do policial militar que, durante dispersão de bloco de Carnaval com bombas e balas de borracha na Barra Funda, afirmou que não tinha “cerimônia de quebrar a cara de mulher”, Doria respondeu que era um ato isolado. 

“Ele já foi afastado. Ele fez e falou o que não devia e vai pagar por isso. Ele está nesse momento sob regime disciplinar, será julgado por um tribunal militar. Ele é um mau exemplo de policial. Mas nem de longe é a postura da Polícia Militar de São Paulo”. 

Em seu discurso, o governador já tinha mencionado o comportamento de policiais. 

“Quero dar um alerta a policiais militares e civis. Eles, aos homens, principalmente: cuidem bem das mulheres. Não maltratem as mulheres em nenhuma circunstância. Mesmo que seja em situação de flagrante de uma criminosa, tratar com dignidade, seguir o protocolo da polícia”. 

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