Descrição de chapéu Rio de Janeiro

Bombeiros encontram mais vítimas, e sobe para 16 número de mortos na Muzema

Segundo a corporação, uma mulher adulta foi localizada por volta das 5h

Diego Garcia
São Paulo e Rio de Janeiro

Mais cinco corpos foram encontrados nesta terça-feira (16) nos escombros dos prédios que desabaram na comunidade de Muzema, zona oeste do Rio de Janeiro, na última sexta (12).

Os corpos de cinco pessoas, sendo três mulheres adultas, um menino e uma menina, foram retirados das ruínas, informaram os bombeiros.

Dessa forma, chegou a 16 o número de vítimas do desabamento de dois prédios, sendo 14 encontrados mortos nos escombros e dois que retirados com vida mas que não sobreviveram. Além dos mortos, outras 10 pessoas saíram feridas da tragédia.

Os bombeiros trabalham com a informação de que mais nove pessoas estão desaparecidas.

A identidade dos cinco mortos retirados nesta terça ainda é desconhecida. 

As buscas pelos desaparecidos entram no quinto dia nesta terça, e com o tempo diminui a probabilidade de mais sobreviventes serem resgatados com vida debaixo dos escombros. Mesmo assim, os bombeiros cariocas não têm previsão de interromper a procura pelas pessoas que ainda não foram encontradas.

A Prefeitura do Rio de Janeiro ainda informou que vai arcar com os custos dos enterros das vítimas da tragédia. Nesta segunda-feira (15), os corpos de Zenilda Bispo Amorim, 38, Juan Amorim Rodrigues, 10, e Maria Silvia de Abreu, 49, foram sepultados no cemitério São Francisco Xavier, zona norte da cidade.

Mais de cem militares estão em operação no local do desabamento. Eles contam com a ajuda de cães farejadores, drone, helicópteros, ambulâncias e viaturas de recolhimento de cadáveres. 

O número de desaparecidos foi obtido de acordo com informações recolhidas com moradores do local. Os edifícios que desabaram eram irregulares, como muitas das construções na região, que é dominada por milícias. Um dos campos de atuação dos milicianos é a grilagem de terras e a exploração imobiliária ilegal.

Entre os desaparecidos na tragédia de Muzema está o motoboy Arlan Ribeiro, 31. Apaixonado por motos, ele fazia parte de um grupo de motoqueiros chamado "Dezocupados", de Rio das Pedras, que reunia mais de 50 amigos.

Membro do grupo, Anderson Araújo, morador da comunidade, afirmou que os motoqueiros estão organizando uma campanha para doações de roupas, calçados e água para as vítimas da tragédia.

"Estamos na esperança de que o Arlan ainda possa ser encontrado com vida", disse Anderson.
Quem quiser participar das doações deve entregar as doações até quinta-feira (18), 20h, no Escondidinho Bar, que fica em Muzema.

No dia do acidente, Arlan recebia em sua casa, no condomínio Figueiras do Itanhangá, a cunhada Patrícia, outra que está desaparecida. Ela veio da Paraíba para visitar a irmã Carol Ribeiro, esposa de Arlan, e os parentes que moram na zona oeste do Rio de Janeiro.

Fabrício, irmão de Carol, se mostrou aliviado que Carol sobreviveu ao acidente, mas apreensivo com a situação dos demais parentes ainda desaparecidos.

"A Carol felizmente já teve alta, está bem. Estamos agora esperando a Patrícia e o Arlan", disse Fabrício. "A família está toda na Muzema aguardando notícias, ainda estamos torcendo", completou.

Outro drama na região de Muzema é o de moradores que perderam suas casas. É o caso de Célio, que havia se mudado há alguns dias para um dos três prédios (vizinhos aos dois edifícios que caíram) que foram interditados pela Defesa Civil e que devem ser demolidos por estarem em situação de risco.

Célio, que trabalha com produção de quentinhas, contou à Folha que era o único morador de seu prédio, um edifício branco de quatro andares. Agora, não tem onde morar. "Acho que vou ficar com meu irmão enquanto isso", disse ele, apontando para a direção da região de Rio das Pedras, onde o parente mora. Ele não quis falar quanto pagou pelo imóvel, mas afirmou que negociou com um corretor.

A Defesa Civil avisou aos moradores dos prédios interditados que eles serão ajudados por aluguel social da prefeitura enquanto não tiverem onde morar.

​​​Em janeiro, a operação Intocáveis mirou líderes milicianos que controlavam Muzema e a vizinha Rio das Pedras. Um deles é o ex-PM Adriano da Nóbrega. Foragido há quase três meses, ele foi companheiro no 18o Batalhão da PM de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) sob investigação do MP-RJ, e tinha a mãe e a mulher nomeadas no gabinete do senador quando este exercia mandato na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro). 

Adriano também foi homenageado por Flávio na Alerj com a Medalha Tiradentes e defendido pelo presidente Jair Bolsonaro em discurso na Câmara quando foi condenado por homicídio —caso no qual foi absolvido um ano e três meses depois.

O ex-PM é acusado de comandar a milícia das comunidades de Rio das Pedras e Muzema, local onde houve o acidente com duas mortes. As investigações do MP-RJ apontam que ele tinha liderança também na exploração de construções irregulares da região.

A Prefeitura do Rio de Janeiro afirma que o grupo paramilitar dificulta a atuação de fiscais do município na região. Segundo a gestão Marcelo Crivella (PRB), os dois imóveis que desabaram são irregulares.

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