Conselho abre processo de tombamento de vila que seria demolida

Durante estudos, conjunto não pode ser alterado sem autorização prévia do órgão

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São Paulo

Após 13 anos de espera, o Conpresp aprovou por unanimidade a abertura de processo de tombamento de um conjunto de casas construído nos anos 1930 na Vila Mariana. 

Isso não significa que a vila, situada no número 289 da av. Conselheiro Rodrigues Alves (zona sul de São Paulo) será tombada pelo órgão municipal de patrimônio, mas sim que sua preservação será analisada.

Enquanto o processo corre, porém, nenhuma alteração pode ser feita nos imóveis sem a anuência do conselho.

Em 2006, os moradores haviam encaminhado ao órgão um pedido de abertura do processo de tombamento da vilinha, na chamada Chácara das Jaboticabeiras. Eles já então se preocupavam com a possibilidade de que, com a verticalização do entorno, as casas viessem a ser vendidas e demolidas.

No entanto, por motivos não esclarecidos, o pedido nunca foi levado à consideração do conselho. 

Até 2017, as casas, que se mantinham em propriedade da mesma família que as construiu, eram alugadas —sete para fins residenciais, duas para finalidade comercial. Havia ainda um casarão, maior, que foi demolido e onde hoje há um estacionamento.

Naquele ano, os proprietários do conjunto decidiram vender o terreno e pediram a devolução das casas em 90 dias.

Na semana passada, os moradores do entorno e antigos locatários das casinhas, alguns dos quais viveram nelas por três décadas e deixaram recados amorosos ao sair, souberam que o conjunto viria ao chão.

A ideia das atuais proprietárias —as Irmãs Concepcionistas da Vila Mariana— era aproveitar que deveriam remover um muro, cujo risco de queda fora constatado pela Defesa Civil, para iniciar a demolição das casas.

A própria Defesa Civil esclareceu, porém, que enquanto o risco não fosse totalmente eliminado, o que incluiria a reconstrução do muro, não poderia haver outros movimentos e intervenções no imóvel.

Na quinta (11), quando a demolição teria início, os vizinhos se mobilizaram; o Conpresp e o Departamento de Patrimônio Histórico —que elabora pareceres de tombamento para avaliação do conselho—, também. 

No dia seguinte, duas decisões suspenderam temporariamente a destruição —uma liminar no Tribunal de Justiça de São Paulo e um despacho assinado pelo subprefeito da Vila Mariana.

Por trás de ambas, estava o entendimento de que o conjunto não poderia desaparecer sem que sua preservação fosse ao menos analisada, o que agora acontecerá.

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