Descrição de chapéu Rio de Janeiro

Crivella recebeu US$ 1,5 milhão para apoiar Paes em eleição de 2008, diz Cabral

Pagamento teria sido feito pelo empresário Eike Batista; defesas ainda não comentaram

Italo Nogueira
Rio de Janeiro

O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (MDB) afirmou nesta sexta-feira (5) que o prefeito Marcelo Crivella (PRB) recebeu US$ 1,5 milhão para apoiar Eduardo Paes (DEM) no segundo turno da eleição municipal de 2008.

De acordo com Cabral, Paes sabia da negociação e participou do encontro que precedeu o pagamento. Segundo o emedebista, preso desde novembro de 2016, o responsável por pagar a quantia foi o empresário Eike Batista.

O ex-governador é interrogado na ação penal da Operação Ponto Final, que investiga propina paga por empresários de ônibus. Ele é acusado de cerca de R$ 145 milhões do setor.

Cabral mencionou Crivella ao comentar o caixa dois de R$ 6 milhões pago por esses empresários a Paes naquela disputa.

Naquela eleição Crivella havia ficado em terceiro lugar no primeiro turno. A disputa final foi entre Paes e o ex-deputado Fernando Gabeira (PV).

Segundo o relato de Cabral, Crivella o encontrou no início da campanha do segundo turno no Palácio Laranjeiras para relatar que o empresário Armínio Fraga havia lhe oferecido US$ 1 milhão para apoiar Gabeira, a quem apoiava naquela disputa.

Ele disse ter, inicialmente, procurado o empresário Jacob Barata Filho, dono de empresas de ônibus, para cobrir o valor. Cabral declarou que o interlocutor disse que não poderia pagar a quantia porque já havia repassado R$ 1 milhão para Crivella no primeiro turno.

Nesse momento, o ex-governador afirma ter recorrido a Eike. Foi marcado um encontro no dia seguinte na casa do empresário para acertar o pagamento num café da manhã às 6h30.

“Às 6h Eduardo Paes foi à minha casa. Contei para ele a situação toda. Combinei com o Eike que não iria tocar no assunto de forma mais comezinha. Deixaria ele a vontade. Crivella chegou junto com Mauro Macedo. Falamos por 20, 30 minutos e depois agradecemos pelo apoio”, disse ele.

Cabral disse também que o ex-presidente Lula foi informado do trato. Ele foi comunicado por Cabral após comentar queixa de Crivella de que não conseguia espaço na gestão Paes.

"Eu comuniquei ao presidente Lula. 'Me desculpe, mas eu comprei o apoio do ​Crivella'. Falei isso dentro do Palácio do Planalto", afirmou o ex-governador.

Eike Batista chegou a negociar um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República em que citaria o prefeito do Rio de Janeiro. O relato apresentado às autoridades, contudo, se referia a um pagamento de R$ 1 milhão para que Crivella não se candidatasse em 2012, quando Paes foi reeleito. Ele não concorreu.

A PGR, contudo, encerrou as negociações com o empresário por considerar que ele apresentou provas insuficientes dos relatos que fez.

Outro lado

Crivella negou ter recebido qualquer dinheiro pelo apoio dado ao ex-prefeito. Ele disse que não conhece Armínio Fraga.

"Isso é mentira. Não conheço o sr. Armínio Fraga, nunca estive com ele nem tão pouco ele me ofereceu qualquer recurso. [...] Diante de Deus quero afirmar que jamais venderia os interesses das pessoas, do povo, para ganhar vantagens pessoais", disse o prefeito em vídeo publicado em sua página no Facebook.

Ele afirmou que optou por apoiar Paes "pela afinidade com os evangélicos". "Todos os evangélicos apoiaram Eduardo Paes".

Em relação à suposta compra de apoio em 2012, ele afirmou na ocasião que a notícia era "sem pé nem cabeça" e que não concorrera na ocasião porque era ministro da Pesca no governo Dilma Rousseff.

O advogado Fernando Martins, que defende Eike Batista, disse que o empresário "não é parte no processo e que sempre desenvolveu suas atividades empresariais dentro do marco da legalidade".

A defesa de Jacob Barata Filho afirmou que não vai comentar o caso.

O economista Armínio Fraga afirmou que a declaração é uma mentira. 

Procurado, Eduardo Paes não comentou o caso até a publicação.

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