Descrição de chapéu Rio de Janeiro

Dois prédios desabam na zona oeste do Rio de Janeiro

Ao menos quatro pessoas morreram e outras dez estão feridas, segundo os bombeiros

Dhiego Maia Diego Garcia
São Paulo e Rio de Janeiro

​O desabamento de dois prédios residenciais no início da manhã desta sexta-feira (12), na comunidade da Muzema, na zona oeste do Rio de Janeiro, deixou ao menos quatro mortos, segundo o Corpo de Bombeiros. Uma criança e um adolescente estão entre as vítimas.

Até o início da noite, quando o quarto corpo —de um adolescente— foi encontrado, apenas uma das vítimas tinha sido identificada —Cláudio José de Oliveira Rodrigues, 39. 

O desabamento deixou também nove pessoas feridas. Há 13 desaparecidos, segundo o Corpo de Bombeiros. 

Dois sobreviventes foram removidos dos escombros. Um deles foi foi levado sobre uma porta por moradores até uma ambulância do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), que estava a seis quadras do local do acidente.  

Bombeiros atuam nos escombros de prédios que caíram no Rio nesta sexta-feira (12)
Bombeiros atuam nos escombros de prédios que caíram no Rio nesta sexta-feira (12) - Divulgação/Twitter/@OperacoesRio

Os feridos foram atendidos no Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca. Não foi divulgado o estado de saúde deles.

Dois homens chegaram ao hospital por volta das 11h a bordo de uma ambulância enlameada: Raimundo Nonato, 41, com escoriações na cabeça, e Luciano Paulo, 38, com escoriações múltiplas. 

​Os prédios caíram por volta das 6h30. Os bombeiros foram alertados da ocorrência às 6h48. Equipes de três quartéis (Jacarepaguá, Barra da Tijuca e Alto da Boa Vista) seguiram para o local, chegando por volta das 7h20.

Uma mulher e um garoto —que segundo os moradores se chamam Paloma e Pedro— foram resgatados e retirados das ruínas. Ainda de acordo com os moradores locais, mais três crianças da mesma família estão desaparecidas. ​

A região é de difícil acesso, está sob o domínio de milícias e os veículos de resgate estão tendo dificuldades para chegar ao local, por conta do excesso de lama, recorrência das chuvas da última segunda (8). O local foi bastante castigado pelo temporal que alagou ruas, avenidas, casas e matou dez pessoas em várias partes da capital fluminense. 

OBRAS

Segundo os primeiros relatos dos sobreviventes, os edifícios tinham quatro e seis andares e ainda estavam em obras. Ao menos quatro famílias viviam nas construções. Antes da queda, foram ouvidos grandes estalos na estrutura.

O prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), esteve no prédio que desabou na manhã desta sexta. Ele saiu sem falar com a imprensa e foi vaiado por moradores da região. A prefeitura informou apenas que os prédios eram irregulares.

"As construções, além de irregulares, são construídas por leigos, pessoas que devem ter trabalhado em uma obra apenas, visto como faz e feito esses modelos aí. Todos os prédios que estão ali correm esse risco, por terem sido feitos por leigos. Eu contei uns 60 prédios ali em uma olhada rápida", disse à Globo Jorge Mattos, coordenador da comissão de análise e prevenção de acidentes do Rio.

O governador do estado, Wilson Witzel (PSC), lamentou as mortes. "Infelizmente, já há mortos e feridos vítimas do desabamento da Muzema. Situação lamentável, que acompanho com atenção", escreveu no Twitter. 

A Defesa Civil isolou uma grande área no entorno do acidente porque, segundo os moradores, nos prédios vizinhos aos que desabaram também foram registrados grandes estalos. 

À frente das operações, o subcomandante dos bombeiros, coronel Marcelo Gisler, disse que duas pessoas foram encontradas mortas por moradores, mais três resgatadas por moradores e outros dois retirados pelos bombeiros.

Carolina Andrade Ferreira, 34, foi resgatada pelos bombeiros por volta de 13h com vida. “Ainda não sei como a Carolina está, mas é um alívio achá-la com vida. Preciso saber dos outros agora”, disse o garçom Francisco Antônio Ferreira, 40, que mora em Guaratinguetá.

Carolina morava com uma outra irmã, Divina Patrícia Andrade Ferreira, 39, e mais um cunhado. Ambos estão desaparecidos.

Divina estava de passagem pelo Rio para visitar a família, com passagem marcada de volta para Paraíba ainda nesta sexta.

O pedreiro Josué Alves da Rocha, 57, preferiu economizar dinheiro para ir fazer um trabalho no condomínio Figueiras do Itanhangá, na comunidade de Muzema, zona oeste do Rio de Janeiro. Em vez de ir de ônibus, foi a pé —andou por cerca de uma hora, por quatro quilômetros​​. E por 30 minutos não desabou junto aos dois prédios que caíram no local nesta sexta-feira (12). “Não ganhei R$ 150 pelo serviço, mas ganhei a vida”, disse Josué.

Josué foi contratado por um homem para fazer um trabalho em gesso na construção de uma varanda e da sala de apartamento de um dos prédios que desabou. Ele conta que, se tivesse vindo de ônibus, teria estado no local no momento da tragédia.

“Preferi juntar o dinheiro, a situação não está fácil no Rio de Janeiro. Ia ganhar R$ 150. Então, vim a pé de Rio das Pedras. Saí de casa antes das 6h. Se tivesse vindo de ônibus, chegaria antes de os prédios caírem”, ele disse. “Sinto que nasci de novo”, continuou.

Por precaução, a Defesa Civil interditou seis prédios ao lado dos dois edifícios que desabaram na manhã desta sexta-feira (12), na comunidade Muzema, zona norte do Rio de Janeiro. Apenas os moradores do primeiro prédio tiveram alguns minutos para retirar documentos pessoais dos apartamentos, que estão agora sendo vistoriados. Os demais moradores não podem ingressar nos locais.

Sebastião Bruno, secretário de infraestrutura do Rio de Janeiro, informou que três prédios ao lado dos dois que desabaram na comunidade Muzema serão demolidos por conta dos riscos de queda. Outros três ainda vão passar por vistoria para saber se será necessária a remoção. As famílias que ficarão desabrigadas vão receber aluguel social da prefeitura.

O pedreiro Josué Alves da Rocha, 57, que por pouco não estava no prédio que desabou
O pedreiro Josué Alves da Rocha, 57, que por pouco não estava no prédio que desabou - Folhapress

A motorista Elaine Pereira, 37, viu pela televisão que o prédio de sua prima Carla Trajano, 31, desabou na comunidade Muzema. “Vim correndo para cá em busca de notícias”, disse Elaine.

Ela saiu da zona norte da cidade e até agora não teve notícia da prima, que está desaparecida junto do marido, Jeferson Trajano, e dos filhos Enzo e Artur, de 6 e 4 anos.

“Resgataram um menino de 4 anos, mas se chamava Rafael, não era o Enzo. Estou agoniada”, contou Elaine.

Ela contou que a compra do apartamento no condomínio Figueiras do Itanhangá era a realização de um sonho para a prima.

“Eles tinham o sonho da casa própria, sempre moraram de aluguel, aí se mudaram para cá no Natal”, disse Elaine.

Ela avisou a prima sobre a preocupação com a segurança no edifício e que o apartamento não foi barato. “Custou uns 200 mil, pelo que sei. Todos sabem que esses milicianos só querem ganhar. Quando vim conhecer, fiquei preocupada com a segurança dela”, disse.

A área onde desabaram os dois prédios é comandada por milícias, segundo o Ministério Público Federal.

Um cachorro foi encontrado com vida nos escombros dos prédios. Chamado pelos moradores locais de Romeu, o cão da raça yorkshire estava bem sujo por conta da poeira causada pelo desabamento, mas não tinha ferimentos graves.

Segundo os locais, ele pertence a uma menina chamada Clara, 10, resgatada com vida das ruínas. Ela é filha de Claudio, uma das três vítimas que morreram no desabamento.

Romeu foi encontrado por um bombeiro bastante assustado, mas foi acolhido por moradores que ajudavam no resgate. 

A motorista Elaine Pereira, 37, viu pela televisão que o prédio de sua prima desabou
A motorista Elaine Pereira, 37, viu pela televisão que o prédio de sua prima desabou - Folhapress

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