Doria afasta PM que empurrou com arma aluna durante protesto em escola de Guarulhos

Vídeo mostra agressão a jovem de 17 anos que tentava sair pelo portão bloqueado por policiais

Policial militar usa cano da arma para empurrar aluna que protestava em escola
Policial militar usa cano da arma para empurrar aluna que protestava em escola - Reprodução
Thaiza Pauluze
São Paulo

O governador João Doria (PSDB) determinou o afastamento do policial que, com uma arma, empurrou uma estudante no pátio da Escola Estadual Professor Frederico Brotero, em Guarulhos, na Grande São Paulo. O nome do agente não foi divulgado.

Doria assistiu ao vídeo que mostra a cena nesta sexta-feira (5). Por volta das 19h30 de quinta (4), a PM foi chamada pela diretoria do colégio para acabar com o protesto dos estudantes, que cobravam melhorias na unidade de ensino.

Nas imagens, quatro policiais fazem uma espécie de cordão de isolamento em frente ao portão de acesso ao pátio. A estudante do terceiro ano do ensino médio, Eduarda Sória, 17, então tenta passar pela área bloqueada pelos agentes e é empurrada por um dos PMs duas vezes. 

Outras pessoas gritam e tentam intervir. Um homem se coloca entre a jovem e o policial, que mantém a arma apontada para os alunos no pátio.

"Na hora só fiquei com muito medo. Eu não sei se a arma era de verdade ou de bala de borracha, mas ele é homem, é mais forte que eu, o empurrão me machucou. Eu nunca tinha passado por isso antes", diz Eduarda, mostrando a marca da agressão.

Para Ariel de Castro Alves, advogado e membro do Condepe (Conselho Estadual de Direitos da Pessoa Humana), a ação do policial pode ser enquadrada como abuso de autoridade.

"É a violação do direito de reunião dos estudantes e da integridade e incolumidade de alguns deles. São policiais despreparados apontando armas e agredindo estudantes", afirma. "Reivindicações e questões educacionais não podem ser tratadas como caso de polícia."

Segundo os estudantes, o protesto tinha como objetivo a destituição do atual diretor, José Maria, acusado de negligenciar as cobranças por melhorias no colégio

Eles afirmam que a escola não recebe manutenção de infraestrutura adequada, e que as salas de aula, os corredores e os banheiros ficam alagados quando chove. Também falta material escolar e assistência aos alunos, que já haviam feito um abaixo-assinado, sem sucesso.

Os estudantes também reclamam que a direção resolveu proibir a entrada deles após o início das aulas, às 19h, sem minutos de tolerância. Eles dizem que nem sempre conseguem chegar a tempo, porque muitos trabalham e vão direto para a escola.

"A gente estava sentado no pátio esperando o diretor falar alguma coisa, mas ele ficou revoltado que os alunos não queriam subir para a aula e chamou a polícia. Não teve vandalismo, pichação, nada", conta Eduarda, que também afirma que os policiais agrediram quatro garotos do lado de fora do colégio.

Dois adolescentes de 16 anos foram apreendidos pela polícia e levados para a delegacia, segundo a corporação, por ameaça e tentativa de agressão ao diretor. Eles foram encaminhados à Vara da Infância e Juventude e liberados pelo juiz, que não viu elementos suficientes para determinar uma internação provisória. 

Os alunos devem realizar novos protestos no pátio do colégio nesta sexta, para pedir mais uma vez a renúncia do diretor da unidade.

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