Descrição de chapéu Rio de Janeiro

Gasto com prevenção a enchentes no Rio caiu 71% sob gestão Crivella

Ao menos 7 pessoas morreram após cidade ser atingida por temporal

Italo Nogueira
Rio de Janeiro

A média de gastos executados pela gestão Marcelo Crivella (PRB) em ações voltadas à prevenção de enchentes caiu 71% em relação ao aplicado no governo anterior. Os dados foram levantados pelo gabinete da vereador Teresa Bergher (PSDB), opositora das duas gestões.

De acordo com os dados, Paes investiu em sua segunda gestão (2013 a 2016) R$ 529,2 milhões por ano, em média. Já sob Crivella, nos dois primeiros anos, foram aplicados R$ 152,9 milhões em média.

O levantamento leva em conta 15 ações orçamentárias que se referem à prevenção de enchentes. Inclui desde contenção de encosta como manutenção da drenagem das redes pluviais.

Ao menos sete pessoas morreram no Rio de Janeiro após a cidade ser atingida por um forte temporal na noite desta segunda-feira (8). Duas pessoas continuam desaparecidas e estão sendo procuradas na avenida Carlos Peixoto, que liga Botafogo a Copacabana.

​Crivella negou a redução de investimentos e afirmou que sua gestão está concluindo as obras do reservatório do rio Joana, na Tijuca (zona norte). Lembrou ainda que a gestão Paes concluiu outros três reservatórios no Maracanã e na praça Varnhagem.

Em nota, a prefeitura diz que a gestão passada teve investimentos "turbinados" com recursos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), do governo federal.

"No atual governo, não há repasses do PAC para obras deste tipo e nem de qualquer outra rubrica. A Prefeitura tem feito as obras com recursos próprios, mesmo com a crise que derrubou a arrecadação", diz a nota do município.

Na nota, o município reconhece a redução em comparação ao último ano da última gestão, mas não em 71%, como appnta a vereadora. Contudo, a base de comparação feita pela assessoria do prefeito é distinta da usada pelo gabinete de Bergher.

"O resto é papo furado. Coisa de oposição. Oportunistas que querem usar tragédia dos outros para fazer palanque eleitoral", disse o prefeito.

De acordo com os dados, foram liquidados (executados) R$ 187 milhões no ano passado e R$ 117 milhões em 2017. Na segunda gestão Paes, o ano com menor investimento na área foi em 2015, com R$ 436 milhões.

Os dados disponibilizados pela vereadora apontam a mesma tendência do Riotransparente, disponibilizado pela CGM (Controladoria Geral do Município). O site da prefeitura, contudo, mostra apenas os valores efetivamente pagos, e não o liquidado.

“Os números não mentem. A prefeitura vem negligenciando uma ação fundamental para a segurança das pessoas. Não falta dinheiro para reformar pracinhas em área de vereadores da base, mas falta para a drenagem, para a manutenção das encostas. E o resultado é uma catástrofe a cada chuva, com mortes, praticamente homicídios culposos, por negligência do poder público”, disse Teresa Bergher

Crivella também se queixou das faltas de recursos federais para obras em encostas e para construção de moradia popular. 

"Os recursos para isso são pequenos. Dependemos de recursos do governo federal. Ainda não conseguimos liberação para diversos projetos do Minha Casa, Minha Vida e do PAC das encostas. Estamos esperando assinar os contratos com o governo federal", disse Crivella.

O vereador Carlos Bolsonaro (PSC), filho do presidente Jair Bolsonaro, criticou a fala de Crivella sobre a atuação da União.

"Chuvas e irresponsabilidades trazem este tipo de resultado ao Rio. Novo, é o prefeito culpar o presidente com pouco mais de três meses de mandato e realizando o que pode pelo país. Meus sentimentos ao carioca. Seguimos cobrando e propondo soluções como sempre participamos", escreveu Carlos Bolsonaro em sua conta no Twitter.
 

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