Moradores relatam ataques de travestis em bairro da zona oeste de SP

Grupo estaria agredindo e roubando pessoas no Butantã; um homem foi esfaqueado

São Paulo

Moradores da rua Catequese, no bairro Butantã (zona oeste), foram surpreendidos na noite da quinta (11) por gritos de socorro. Alguns deles, que correram para entender o que estava acontecendo e prestar auxílio, encontraram um homem caído na via pública, ensanguentado. Um jovem de 27 anos, que não teve a identidade revelada, dizia ter sido roubado e esfaqueado por um grupo de travestis.

Policiais militares foram até o local e prestaram os primeiros socorros à vítima, que foi encaminhada ao hospital. O estado de saúde dela também não foi informado.

Apesar de ser um episódio mais grave da violência, moradores da região afirmam que este caso não é isolado e é apenas um exemplo da onda de violência que vem atingindo o local, deixando moradores e frequentadores do entorno com medo.

Segundo eles, apesar de ser comum há muitos anos a prática de prostituição nas imediações, a situação ficou mais crítica desde que um grupo de travestis passou a atuar no bairro.

"Elas chegam sempre juntas e não estão interessadas em fazer programas, mas sim em roubar", diz um morador que preferiu não de identificar.

O homem afirma ainda que por um tempo os principais alvos do bando eram clientes que paravam na via interessados nos programas de prostituição. "Era comum elas atacarem principalmente quem aceitava sair com elas. Às vezes, enquanto uma distraía o motorista ou pedestre, outra dava um jeito de roubar pertences como bolsas, carteiras e celulares". 

Agora, no entanto, os criminosos estão fazendo novas vítimas, como pedestres ou motoristas que passam pela região na ida ou volta do trabalho. Com equipamentos públicos como a estação do metrô Butantã e o terminal de ônibus, o fluxo de pessoas pelo Butantã é relativamente alto durante o dia todo. O bairro de classe média, que mescla de casarões de alto padrão a comércios populares, também abriga o campus da USP (Universidade de São Paulo).

De acordo com a arquiteta Priscila Canhedo, 44, que mora há pelo menos duas décadas no Butantã, a situação se agravou nos últimos meses. "Sempre teve casos de prostituição por aqui, mas ficou muito complicado e perigoso desde que um grupo de travestis passou a frequentar essa rua todos os dias", explicou.

Segundo Canhedo, a mudança de mão da via também foi outro fator que influenciou na diminuição da segurança. Para ela, a falta de registros dos casos em delegacias ainda compromete o serviço de investigação e a resolução dos casos.

"Mais de uma vez por semana elas atacam alguém, mas a maioria não registra por vergonha. Às vezes a pessoa está aqui sem ninguém saber e por não saber como explicar desiste da denúncia e do registro do Boletim de Ocorrência."

O 51º DP (Butantã) confirmou que investiga um caso de roubo ocorrido na rua Catequese, que deixou um homem ferido a facadas. "A equipe de investigação realiza diligências em busca de elementos que auxiliem na identificação da autoria", afirmou em nota.

A Polícia Militar também diz que o policiamento realizado na região é intensificado de acordo com o mapeamento das ocorrências e dinâmica criminal.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, somente entre janeiro e março de 2019 o trabalho da Polícia Civil possibilitou a prisão de 17 autores de roubos no Butantã. A polícia, no entanto, não comentou se há entre os presos alguns dos suspeitos dos crimes praticados pelo grupo de travestis.

Os moradores da rua Catequese estão se mobilizando para que, por conta própria, sejam instaladas câmeras de monitoramento na via, de modo a ter mais segurança aos pedestres e motoristas que circulam pela região.

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