Descrição de chapéu Rio de Janeiro

Polícia investiga empresas envolvidas com prédios que desabaram no Rio

Quatro delas constam em ação civil pública da Promotoria; delegacia apura envolvimento de milícias

Diego Garcia Italo Nogueira
Rio de Janeiro

A Polícia Civil do Rio de Janeiro encaminhou ofícios à Prefeitura do Rio de Janeiro e demais órgãos de investigação para identificar os responsáveis pela construção dos edifícios que desabaram no condomínio Figueira do Itanhangá, na comunidade de Muzema, na zona oeste do Rio de Janeiro, na última sexta-feira (12), deixando até o momento 19 mortos.

Segundo informou a Polícia Civil, o Draco (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas) está ajudando na investigação de envolvimento da milícia na exploração imobiliária daquela região e em comunidades do entorno. 

A construção do condomínio envolveu ao menos quatro empresas, segundo ação civil pública proposta pelo Ministério Público do Rio de Janeiro no ano passado. A Olimpique Incorporações e Participações, a Pedreira Santo Amaro, a Gaúcha New Construtora e a Francisco Xavier Imóveis foram vinculadas ao empreendimento ilegal desde a origem do loteamento, em 2005.

De acordo com a investigação do Ministério Público, desde o início das obras a responsável é a Olimpique, que pertence à Pedreira Santo Amaro. Ambas chegaram a tentar o licenciamento do empreendimento, mas tiveram o pedido negado por desrespeito às legislações urbanísticas da área.

Ainda assim, o trabalho na região foi executado ao longo de 14 anos. A Gaúcha New e a Francisco Xavier foram as responsáveis pela comercialização das unidades, segundo a investigação.

A 16ª delegacia de polícia, na Barra da Tijuca, apura se houve, por parte dos construtores, inobservância do dever de cuidado e descumprimento de normas afetas à construção.

Equipes da corporação estão na Muzema realizando diligências com objetivo de identificar e ouvir vítimas e líderes comunitários.

PROMOTORIA

 O Ministério Público começou a investigar o caso em 2016, após receber denúncia do crescimento irregular. Em dezembro de 2018, após vistoria no local, a Promotoria recomendou a demolição dos imóveis na área do condomínio.

Desde o início do inquérito, o MP-RJ tem conhecimento do envolvimento de milícia na construção dos imóveis. Promotores foram informados informalmente por moradores da área sobre a atuação dos grupos criminosos.

A informação foi confirmada na investigação que culminou na Operação Os Intocáveis, que prendeu pessoas acusadas de liderar as milícias de Rio das Pedras, Muzema e áreas próximas.

Um dos líderes do grupo é o ex-PM Adriano da Nóbrega, cuja mulher e a mãe estiveram nomeadas no gabinete do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) por 11 anos quando ele exercia o mandato de deputado estadual na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).

As duas foram contratadas por indicação de Fabrício Queiroz, o ex-assessor de Flávio investigado em razão de movimentação financeira atípica identificada pelo Coaf (Conselho de Controle da Atividade Financeira).

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