Descrição de chapéu Obituário MARIA HELENA LEITE (1952 - 2019)

Mortes: Radialista desde os 15 anos, comandou bumba meu boi

Além do folclore e do radialismo, Maria Helena tinha grande amor pelas plantas

São Paulo

A casa de Helena é tão cheia de plantas que mal dá para caminhar. São mais de 40 vasos, espalhados pelo chão ou pendurados nas paredes, conta o filho, o servidor público Ronner Leite, 45.

O cuidado com as plantas era coisa séria e ocupava toda a manhã de sábado da radialista Maria Helena Leite: das 7h ao meio-dia.

Ficava brava e dava bronca se visse algum arbusto ressecado pela rua. Então ai do filho se não cumprir a tarefa herdada agora.

A radialista Maria Helena Leite
A radialista Maria Helena Leite - Arquivo pessoal

"Tenho medo que ela venha puxar meu pé de noite", diz, rindo, Ronner. Mas Helena deixou algumas instruções para seus quatro filhos, oito netos e três bisnetos.

"Tem que conversar, principalmente com as samambaias", ensinou ela.

Além das plantas, Helena tinha outros amores: o radialismo e o folclore, especialmente o bumba meu boi.

Comandava o boi da Pindoba, de sotaque de matraca, um dos mais famosos do estado. Nascida em Viana, no Maranhão, se mudou para São Luís ainda criança.

Na rádio, onde começou a trabalhar aos 15 anos, defendia as tradições e a cultura local em seu programa Canta Maranhão. Gostava de AM, que acreditava ser "do povão", e se recusava a migrar para FM. "Ela dizia que o público dela estava na AM", afirma Ronner.

Helena teve um enfarto em 29 de março, três dias depois de completar 67 anos. Foi levada às pressas pelo filho ao hospital, mas já chegou inconsciente.

Os músicos do boi da Pindoba tocaram durante todo o velório e enterro, lembra Ronner. Paravam para enxugar as lágrimas e continuavam a cantoria pela "rainha da rádio".
 


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