Descrição de chapéu Rio de Janeiro

Três dias depois, estátua de Noel Rosa é novamente depredada no Rio

Nesta terça-feira (16), foram arrancados um braço da estátua do sambista e quase a peça inteira do garçom

Cris Veronez
Rio de Janeiro

Em três dias, Vila Isabel, na zona norte do Rio, sofreu novo ato de ofensa à memória do sambista do bairro Noel Rosa. Mais uma vez, amanheceu depredada a estátua em homenagem ao compositor. 

Se no último sábado (13) foram levados o tampão da mesa e o encosto da cadeira vazia, desta vez, nesta terça-feira (16), foram arrancados um braço da estátua do sambista e quase a peça inteira do garçom, na composição em bronze.

Procurada, a Polícia Civil não se manifestou. Como no sábado, a Secretaria municipal de Conservação e Meio Ambiente afirmou que não há imagens de câmeras de segurança próximas à cena que tenham flagrado os suspeitos.

Um novo boletim de ocorrência ainda seria registrado pela prefeitura. "É um impacto muito doloroso. Infelizmente essa estátua já sofreu outros momentos de agressão. É um símbolo tão importante para o nosso bairro", disse Yolanda Braconnot, presidente da Associação Atlética Vila Isabel, tradicional clube do bairro.

O governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), afirmou nesta quarta-feira (17) que o estado irá recuperar a estátua.

"Nós vamos recuperar a estátua do Noel em Vila Isabel. Eu que fui morador de lá e tenho um carinho especial pelo bairro. Vou colocar câmera de alta resolução com reconhecimento facial para que o engraçadinho que for fazer o que gera depredação, a gente vai atrás", disse Witzel, em entrevista à rádio Tupi.

O uso de câmera, segundo o governador, é fundamental "para reduzir essa criminalidade das ruas, depredação, assalto". "Não adianta nem cobrir o rosto, porque até assim, só com o formato do rosto e o tamanho da pessoa, a gente consegue ir atrás dela. Vamos também investigar as digitais. Vamos atrás e vamos encontrar quem fez aquilo."

Esta é a sexta vez que a escultura sofre com furtos ou ações de vandalismo em um período de sete anos, a quarta tendo um pedaço furtado.

Na segunda, após o furto no fim de semana, a secretaria informou que abrira licitação para repor as peças levadas —não informou prazo para o conserto. Localizada na Rua Boulevard 28 de Setembro, a principal do bairro, a escultura foi feita em 1996 pelo artista plástico Joás Passos, em homenagem ao sambista, cantor, compositor e poeta de Vila Isabel. 

Ela retrata uma cena boêmia, em que Noel está sentado em uma mesa de bar, fumando cigarro, tomando cerveja e sendo atendido por um garçom. Ao seu lado, uma cadeira vazia, na qual visitantes podem se sentar para tirar fotos. A composição é uma referência ao samba “Conversa de Botequim”, um dos mais famosos de Noel.

A primeira depredação da estátua aconteceu em 2012. Foram furtados a cadeira e um copo que ficava sobre a mesa. Em 2013, as peças foram repostas.

Em 2014 e em 2015 o monumento foi pichado. Em 2015, teve ainda alguns pedaços arrancados: o braço esquerdo e o pé direito de Noel Rosa, além do braço esquerdo do garçom que compõe o conjunto.

Em 2016, a obra chegou a ser removida pela Gerência de Monumentos e Chafarizes para passar por uma restauração completa, que custou R$ 95 mil aos cofres públicos municipais.

Este não é o único caso de um monumento que vira alvo de vandalismo no Rio. Aconteceu o mesmo com a estátua do poeta Carlos Drummond de Andrade, no calçadão de Copacabana, zona sul do Rio. Seus óculos já foram roubados diversas vezes. Ao todo, foram pelo menos onze depredações ao monumento desde a sua instalação, em 2002.

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.