Descrição de chapéu Como Cuidar de SP

Ação de limpeza em córrego encontra de ventilador a carcaça de motocicleta

Dez funcionários da Prefeitura de SP foram mobilizados para limpar área na zona norte

Fabrício Lobel
São Paulo

Roupas, ventilador, vaso, pneu, calota de carro, restos de móveis, pedaços de vidro e a estrutura metálica de uma motocicleta. Tudo isso foi retirado num trecho de um estreito córrego na zona norte de São Paulo, na manhã da última sexta-feira (17).

Uma equipe de cerca de dez operários à serviço da subprefeitura de Pirituba se embrenhava no mato alto às margens do córrego Cintra, na Vila Mangalot, para fazer limpeza de rotina do curso d’água.

Os primeiros que avançam levam foices para cortar o mato bem rente à raiz. Por vezes, é preciso entrar no córrego e estar com a água até a altura das coxas para fazer a limpeza devidamente. Ratos observam o trabalho feito pelos homens.

Logo depois vão os trabalhadores que portam o forcado, uma ferramenta feita com um longo cabo de madeira com quatro dentes de ferro (como um garfo) usado para revolver e juntar a grama cortada.

Com as mãos, tiram também o lixo trazido pelo córrego ou jogado irregularmente pela população do entorno.

Onde o terreno permite, a limpeza do córrego ganha um auxílio mecanizado. Uma retroescavadora é usada quando o rio ou córrego acumula um volume muito grande de terra num mesmo ponto. O curso d’água fica assoreado e não consegue dar vazão a grandes fluxos em dias de chuvas, causando enchentes.

Mas a máquina só consegue chegar em um número limitado de lugares, muito menos da metade, segundo os funcionários. Por isso, na maioria das vezes, o trabalho é mesmo feito à mão. 

Há ainda locais em que nem mesmo a pé é possível fazer a limpeza sem uma obra maior, principalmente em áreas com moradias irregulares.

Além do mato roçado, o material retirado do leito do córrego é diverso. Ainda assim, é composto em grande parte por entulhos, restos de madeira, que poderiam ser descartados nos cerca de cem Ecopontos que estão pela cidade.

Os trabalhadores dizem ser comum também encontrarem carcaças de cães e gatos. Relatos de restos de corpos humanos também são frequentes, mostrando a proximidade que essa tarefa tem com áreas com atuação de criminosos.

Na manhã da última sexta, no córrego Cintra, a estrutura metálica de uma motocicleta foi encontrada. Isso ocorre quando uma moto é roubada, desmontada e as partes fáceis de serem rastreadas são descartadas por criminosos.

“Em um rio mais pra cima, a gente já encontrou quatro, cinco dessas”, conta um dos operários.

O subprefeito de Pirituba, Edson Brasil, que acompanhava a limpeza, orientou que as equipes apresentassem à Polícia Civil todas as peças do tipo encontradas.

Na Vila Mangalot, a limpeza do córrego ao longo de apenas 70 metros leva dois dias de trabalho. Nesta segunda-feira (20), o reparo será em outro córrego da região.

Depois de seis meses, quando o mato estiver alto novamente, as equipes terão de voltar ao ponto da última sexta. 

A sensação de enxugar gelo poderia ser amenizada com investimento na revitalização dos córregos e a criação de parques lineares às suas margens. A ideia chegou a ser promessa do ex-prefeito João Doria (PSDB), mas empácou.

A gestão Doria também estipulou uma meta de redução de 15% das áreas inundáveis na cidade. Até 2018, a gestão Doria e Bruno Covas (PSDB) tinham reduzido apenas 1%.

Uma revisão do Plano de Metas apresentada por Covas estipulou que entre 2019 e 2020, o objetivo é limpar 2,8 milhões de m² de margens de córregos. A meta é 15% maior do que o trabalho feito entre 2017 e 2018. 

Ainda assim, o trabalho tem efeito limitado, como sabem os funcionários do córrego Cintra, na Vila Mangalot. 

“Infelizmente, a gente vai sair e daqui a pouco vai estar sujo de novo. O pessoal sempre joga lixo”, lamenta Lucas Claudino, 30, um dos encarregados pela limpeza do córrego. Ele explica que, as vezes, o lixo não espera nem a saída dos trabalhadores. “Uma vez, uma senhora passou na rua e jogou o lixo no córrego. O saco caiu na cabeça do rapaz que estava limpando. Não tem jeito”.


Córregos e rios em SP

228 córregos são limpos constantemente pela Prefeitura de São Paulo

56 equipes, com 8 funcionários cada, são responsáveis pelo trabalho

102 Ecopontos espalhados pela cidade poderiam receber entulhos e outros materiais que são irregularmente despejados nos córregos; veja no link os endereços desse serviço https://bitty.ch/433dg

156 é o telefone da prefeitura em que o paulistano pode pedir limpeza de córregos, serviço também funciona pela internet e app

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