Descrição de chapéu Obituário Elisa Mascaro (1940 - 2019)

Mortes: Empresária acolheu gays e transformistas durante a ditadura

Elisa Mascaro trouxe o glamour dos cabarés parisienses para a noite paulistana

Manuela Ferraro
São Paulo

A Noite da Broadway era a festa mais esperada da Medieval. A rua Augusta se transformava em um tapete vermelho, e eram necessários cordões de isolamento para que as transformistas conseguissem chegar à boate. Com sorte, era possível ver alguém chegando ao clube em cima de um elefante ou dentro de um caixão de vidro carregado por sete anões.

Por trás do sucesso estava Elisa Mascaro, empresária que, com amor e rigidez, trouxe o glamour dos cabarés parisienses para a noite paulistana.

Elisa Mascaro foi empresária da noite em São Paulo
Elisa Mascaro foi empresária da noite em São Paulo - Reprodução/Facebook

Nascida em Marília, interior de São Paulo, mudou-se ainda jovem para a capital, com o marido, Fernando Simões. Ao lado dele, a empresária fundou em 1971 a boate Medieval, e em 1985, já viúva, abriu a casa Corinto.

Elisa foi “mãe” para muitas das suas funcionárias. As transformistas das casas eram contratadas com carteira assinada, estabilidade incomum para LGBTs durante a ditadura militar. Durante a epidemia de Aids dos anos 1980, chegou a importar remédios dos EUA para tratar pacientes e a buscar no IML corpos que as famílias não queriam enterrar.

Apesar do carinho, a empresária gerenciou os negócios com “mão de ferro”. Um colar que caía no meio do show ou um atraso durante o ensaio era motivo de desconto no cachê.

Elisa prezava a honestidade, era enérgica, objetiva e costumava se emocionar ao final dos shows. “Desde criança, linda, alegre e travessa. Nunca deixou de lutar pelo que gostava ou queria, sempre determinada e lutadora”, relata a irmã, Adelina Mascaro.

“Com a morte de Elisa, morre um glamour que São Paulo já não vê há algum tempo”, diz Lufe Steffens, cujo longa “São Paulo em Hi-Fi” (2013) conta algumas das histórias da empresária.

A morte do filho, César Augusto, em 1991, fez Elisa se afastar da noite. Depois da Corinto, dirigiu alguns espetáculos e passou temporadas na Europa. Ela enfrentava um câncer havia um ano e morreu no último dia 16, aos 78 anos. Deixa o neto, a irmã, primas e sobrinhos.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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