Descrição de chapéu Obituário Guilherme Souza (1994 - 2019)

Mortes: Poeta do Vale do Ribeira, criou sarau para valorizar a região

Guilherme Souza tinha o bananal como protagonista de seus versos

Mariana Grazini
São Paulo

"Não quero conhecer outra região enquanto não conhecer a que me alimenta, a que me inspira para criar", escreveu Guilherme Souza em um dos seus textos publicados em rede social. 

Nascido em Registro, no Vale do Ribeira, na região sul de São Paulo, o poeta se entregava para a cena cultural da cidade com seus saraus.

Com a amiga Ana Clara Muniz criou o Sarau Literacura em 2016 e começou reunindo os amigos de infância em seu bairro. Músicos, escritores e outros poetas antes desconhecidos apresentaram suas criações. 

O poeta Guilherme Souza em sarau
O poeta Guilherme Souza em sarau - Arquivo Pessoal

Guilherme levou artistas para o centro da cidade com edições do sarau feitas em praças e no Sesc de Registro.

O bananal era protagonista de seus versos. Os poemas cresciam da planta e do processo produtivo da fruta. Falou do uso de agrotóxicos e da condição do trabalhador rural em seu álbum de poesia cantada, "Pseudocaule". "Ele era crítico sem perder a doçura", contou a amiga Beatriz de Oliveira, 24.

Foi criado pelas mulheres da família, sobretudo pela avó, Pedrina. Ganhou dela uma jaqueta, quando era pequeno, que desapareceu em dias. Dava suas roupas para colegas que estavam com frio na escola e levou o hábito para a vida.

Teve uma filha aos 17 anos. "Já somos íntimos do papel e da caneta", escreveu para Mellize, 8, em um de seus poemas. Presenteou-a com um livro sobre a história dos quilombos do Vale do Ribeira. Esforçava-se para levar cultura a ela também.

Saía para pagar contas na cidade e conversava com quem cruzasse seu caminho. Não ligava para datas comemorativas e esquecia aniversários. Levava café da manhã na cama para a namorada todos os dias.

Em 18 de abril, aos 25 anos, morreu de um câncer que começou nos testículos e se espalhou pelos órgãos. Sonhava em viver de seus saraus e que entendessem que aquilo era "suor e trabalho".

Deixa dois irmãos e as mulheres com quem convivia: a filha, a namorada, a mãe, a avó e uma amiga de infância.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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