Descrição de chapéu Obituário Tarciso de Sousa Filgueiras (1946 - 2019)

Mortes: Tarciso conseguiu realizar o sonho de ser 'médico de planta'

Especialista em botânica, amou as artes e dava aula de latim para cientistas

São Paulo

Quando criança, Tarciso tinha o cerrado goiano como quintal de casa. Certa vez, notou que quebrou o galho de uma planta. Instintivamente, pegou um pedaço de tecido e improvisou uma espécie de tipoia para o galho.

Tarciso voltou para casa e disse para a mãe que queria ser médico de plantas.

Anos mais tarde, na faculdade de agronomia, um professor surgiu para a primeira aula de botânica do curso carregando vasos de plantas para a sala. Ali, Tarciso confirmou sua paixão pelo reino vegetal. Desde então, não parou de estudá-lo.

O professor Tarciso de Sousa Filgueiras, referência em botânica
O professor Tarciso de Sousa Filgueiras, referência em botânica - Arquivo Pessoal

Em seu mestrado, nos Estados Unidos, dizia que mal conseguia dormir tamanha a fascinação que tinha pelas gramíneas que mantinha no laboratório.

Dono de um vasto currículo acadêmico, passou seus últimos anos no Instituto de Botânica, no Jardim Botânico de São Paulo. A cidade conquistou Tarciso pela oferta de espetáculos de música clássica, óperas, balés e teatros. 

Tarciso mantinha ainda uma enorme biblioteca em casa --alguns dos livros tinham sido escritos pelo próprio professor. Um deles sobre a história de Jesus. Outra seção da biblioteca era dedicada apenas a dicionários de línguas estrangeiras: grego, francês, inglês. 

Ele dava até aulas de latim para cientistas. Esse conhecimento era essencial na academia, principalmente quando o Código de Nomenclatura Botânica exigia que cada nova espécie fosse descrita naquela língua.
Em 2018, descobriu um câncer. No meio do tratamento voltou para Goiás, para ficar perto da família.

Tarciso morreu no dia 18 de maio. Ele deixa sete irmãos, e sobrinhos.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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