Sem espaço no IML, AM usa caminhão frigorífico para armazenar corpos de vítimas

Onda de violência carcerária deixou 55 mortos desde o fim de semana no estado

Fabiano Maisonnave Monica Prestes
Manaus

Após uma onda de violência que deixou ao menos 55 mortos em presídios de Manaus, o governo do Amazonas tem tido dificuldade em armazenar e identificar corpos de vítimas do massacre. Nesta terça-feira (28), foi anunciada a transferência de nove presos para fora do estado.

O grande número de detentos mortos no Instituto Médico Legal (IML) para identificação levou o Departamento de Polícia Técnica Científica (DPTC) a utilizar um caminhão frigorífico para armazenar os corpos.

De acordo com a diretora do IML, Sanmya Leite, a capacidade do instituto é para 20 corpos, mas no momento há 44 aguardando identificação, sendo 39 deles oriundos das quatro unidades prisionais do Amazonas onde foram registradas 40 mortes na segunda-feira.


Desses 40, somente um foi identificado e liberado. Os demais passaram pela necropsia e aguardam a conclusão do processo de identificação, informou Leite. 

"Os familiares já foram contatados e agora aguardamos apenas a identificação, que será por meio da papiloscopia ou, se preciso, odontologia ou exame de DNA", explicou a diretora. 

Os 15 corpos de presos mortos durante uma briga no Compaj no último domingo já foram identificados, todos por meio de papiloscopia, e liberados. 

Segundo a diretora do IML, dez deles tiveram como causa da morte as perfurações feitas por estoques produzidos a partir de escovas de dente e outros cinco foram vítimas de asfixia mecânica. A causa da morte dos outros 40 ainda não foi divulgada. 

Para reforçar a segurança na capital amazonense, o governo federal enviará cerca de cem homens até sexta-feira (31), para compor uma Força-Tarefa de Intervenção Penitenciária.

Parentes de presos aguardam informações no lado de fora de presídio em AM
Parentes de presos aguardam informações no lado de fora de presídio em AM - Bruno Kelly/Reuters


Entre domingo e segunda-feira, 55 presos foram mortos por companheiros em quatro unidades prisionais de Manaus. A violência é atribuída a disputas internas da facção Família do Norte (FDN), que passou a controlar o tráfico de drogas no Amazonas desde massacrou integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital), no início de 2017, também dentro de presídios.

Ao G1, o governador Wilson Lima (PSC) afirmou que irá providenciar a troca da empresa Umanizzare, responsável pela administração dos presídios de Manaus, ainda neste ano, por meio de um novo processo licitatório. 

Após uma reunião com o comando da cúpula da segurança no estado, ele esteve no Compaj (Complexo Penitenciário Anísio Jobim) e no Ipat (Instituto Penal Antônio Trindade), onde ocorreu a maior parte das mortes.

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