Descrição de chapéu Rio de Janeiro

Tiroteio intenso termina com três mortos no Morro do Vidigal, no Rio

Com esse episódio, cidade soma ao menos oito baleados em confrontos entre criminosos e policiais em favelas em 4 dias

Júlia Barbon
Rio de Janeiro

Moradores do Morro do Vidigal, na zona sul do Rio de Janeiro, presenciaram um intenso tiroteio que terminou com três mortos na manhã desta segunda-feira (13). Com esse episódio, a capital fluminense soma ao menos oito baleados em confrontos entre criminosos e policiais em favelas nos últimos quatro dias.

A Polícia Militar afirmou que agentes da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) local faziam um patrulhamento quando "foram atacados por tiros disparados por marginais". Houve confronto e, ainda segundo a corporação, três suspeitos ficaram feridos e foram levados ao Hospital Municipal Miguel Couto.

Vídeos e fotos publicados nas redes sociais e recebidos pela Folha mostram policiais colocando feridos na caçamba de uma viatura da PM, que depois deixa a comunidade. A Secretaria Municipal de Saúde informou que chegaram ao hospital dois homens já mortos e um baleado, que morreu depois durante uma cirurgia.

As duas pessoas que já chegaram mortas são Leonardo Santos Jesus e Ricardo Tavares Gomes da Silva, segundo a Polícia Civil, que disse ter aberto um inquérito para apurar o que ocorreu. Questionada, as polícias não informaram o nome da terceira pessoa atingida.

A Polícia Militar afirmou que apreendeu um fuzil, três artefatos explosivos, um rádio transmissor e um carregador na ação. No entanto, questionada, não comentou se o procedimento de retirar as pessoas atingidas do local da ocorrência naquelas circunstâncias foi correto.

À tarde, por volta das 15h, as plataformas colaborativas "Onde Tem Tiroteio" e "Fogo Cruzado" voltaram a alertar sobre tiros no Vidigal. A PM também não respondeu se fazia operação ou patrulhamento na região nesse segundo momento.

Os barulhos da intensa troca de tiros foram registrados pelo ator Juan Paiva, do programa "Malhação", em um vídeo publicado no seu Instagram. Na gravação, ele chora abraçado com a mulher e a filha de 4 anos dentro de casa, enquanto os disparos são ouvidos ao fundo.

"Brother, eu fico muito triste porque a maioria são pessoas, colegas que cresceram com a gente. Jogaram bola, estudaram e tudo mais e daí a gente vê essa galera indo para um caminho não legal. Sem noção nenhuma, sem medo do perigo e tão jovem perdendo a vida, perdendo a liberdade de bobeira, brother", diz ele.

"Com tanta coisa legal aí no mundo para a gente, tanta coisa boa para a gente desfrutar. Eu só peço que Deus proteja a cada um, dê inteligência e sabedoria a cada um, para que possa sair dessa vida o quanto antes, de verdade", completa o ator.

OUTROS CONFRONTOS

Já são ao menos oito baleados em confrontos entre policiais e criminosos no Rio nos últimos quatro dias. Também na manhã desta segunda, um PM e um suspeito ficaram feridos após uma troca de tiros no Morro do Faz Quem Quer, na zona norte da cidade, durante uma operação do batalhão local. Quatro pessoas foram presas na ação.

Na última sexta (10), foram ao menos três: um mototaxista morreu e mais duas pessoas ficaram feridas, incluindo um menino de 11 anos em estado gravíssimo, durante uma ação da PM na comunidade Vila Aliança, em Bangu (zona oeste do Rio).​

O número de mortos em ações policiais no estado do Rio de Janeiro vem crescendo desde 2014. Elas mais do que triplicaram nesse intervalo: saltaram de 416 em 2013 para 1.534 no ano passado. No primeiro trimestre deste ano, foram quase cinco óbitos por dia —434, contra 368 no mesmo período de 2018.

A quantidade de policiais militares e civis mortos em serviço também subiu. Duplicou de 16 em 2013 para 32 no ano passado. Se for considerado só o primeiro trimestre deste ano, foram 8 óbitos, quatro a menos do que nos primeiros três meses de 2018. É importante ponderar que a maioria das mortes de agentes ocorrem de folga.

Na última terça (7), a Comissão de Direitos Humanos da Alerj (Assembleia Legislativa do RJ) e a deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) denunciaram o governador Wilson Witzel (PSC) à ONU (Organização das Nações Unidas), dizendo que o recorde de mortes por policiais no estado está relacionado à "permissividade" do governador.

Ele já disse ser favorável ao "abate" de criminosos que estejam portando fuzis e ao uso de helicópteros para disparos.  

Sobre a denúncia, o governo respondeu em nota que investiu em equipamentos, ampliou o departamento de combate ao crime organizado e que convocará mais de 3.000 policiais até o fim do ano. Também ressaltou que os números de homicídios dolosos e a letalidade violenta caíram pelo terceiro mês consecutivo, na comparação com o ano passado.

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