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Voluntários recolhem lixo de lagos, rios e praias de Manaus

Todos os meses, grupo dedica um sábado para o trabalho de limpeza das águas

Monica Prestes
Manaus

Uma vez por mês, quando o sábado amanhece no lago Tarumã, em Manaus, voluntários trocam as roupas de banho e o dia de lazer por botas, luvas e sacos plásticos e, a bordo de pranchas de stand-up paddle, caiaques e botes, percorrem lagos e igarapés para recolher toneladas de lixos.

Quando é dia de Remada Ambiental no Tarumã, um batalhão de embarcações que atuam na limpeza de áreas previamente mapeadas coleta todo tipo de resíduo, de embalagens plásticas a sapatos usados, passando por móveis e eletrodomésticos, como fogões e até geladeiras velhas.

A cada edição, o projeto recolhe, em média, uma tonelada de todo tipo de resíduos dos rios e ganha mais adeptos —são cerca de 300 voluntários cadastrados e mais de 2.000 pessoas envolvidas nas ações.

A iniciativa partiu do microempresário Jadson Maciel, 37, que há cerca de cinco anos abandonou a rotina corporativa de gerente de uma grande empresa de varejo em busca de um negócio que lhe permitisse ter uma conexão maior com a natureza. Pediu demissão, comprou uma casa flutuante e a transformou em uma escola de stand-up paddle no Tarumã.

Uma vez, voltando de uma aula, ele avistou uma "ilha” de lixo boiando no meio do rio e observou que, com o movimento das embarcações, o lixo era empurrado para as margens, onde ficava preso em meio à vegetação. 

“Aquela visão me deu uma tristeza. Imediatamente pensei no meu filho, que hoje tem cinco anos, e me dei conta de que ele pode não ter este lago para brincar quando crescer”, disse.

Barcos são emprestados por ribeirinhos para ajudar a coletar lixo no lago Tarumã
Barcos são emprestados por ribeirinhos para ajudar a coletar lixo no lago Tarumã - Divulgação

Maciel reuniu amigos e alunos, fechou o flutuante por algumas horas e cedeu todas as pranchas para os voluntários, que foram aparecendo logo nas primeiras horas da manhã e buscando meios de ajudar.

Depois da primeira edição, em maio de 2016, o número de voluntários cresce a cada mês, assim como a quantidade de embarcações envolvidas.

No último sábado de abril (27), a chuva não foi suficiente para espantar o voluntário Hadaiury Alves, 24, que participa da remada ambiental desde a primeira edição. “O que mais me motiva a participar do projeto são as pessoas impactadas. Apesar de a gente não conseguir retirar nem 1% do lixo que existe ali, o que nos move é ver que as pessoas conseguem disseminar essa lição e não jogar lixo nas ruas.”

Segundo ele, a iniciativa, além de ajudar na conservação do ambiente, também é uma ferramenta de transformação pessoal dos voluntários. “Já tivemos casos de pessoas que vieram participar do projeto e não tinham cuidado com seu próprio lixo e, depois que viram a situação do Tarumã, acabaram se tornando agentes de transformação”, disse. 

Além da ação de limpeza dos rios e lagos, o projeto inclui palestras voltadas para a educação ambiental, coleta seletiva e o descarte correto de resíduos, especialmente em escolas e universidades localizadas na bacia do Tarumã. 

O projeto passou a ser realizado mensalmente e hoje tem parcerias com uma associação de canoeiros que, nos dias de limpeza, cede mais barcos para ajudar na coleta do lixo retirado da água. Outro apoio vem de uma cooperativa de catadores de materiais recicláveis, para quem os voluntários entregam os resíduos plásticos coletados para a reciclagem.

De acordo com dados da secretaria de limpeza pública de Manaus, em 2018, a limpeza de igarapés da capital custou à prefeitura mais de R$ 14,9 milhões. Ao todo foram retiradas 9.622 toneladas de lixo de 90 igarapés, córregos e orlas da cidade. 

A secretaria é responsável por destinar o material recolhido pelos voluntários que não pode ser reciclado: tudo vai para o aterro sanitário.

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