Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Bolsonaro pede pressão sobre Congresso por decreto de armas

Objetivo é permitir que 'cidadão de bem' tenha equipamento, diz presidente em Belém

Danielle Brant
Belém

O presidente Jair Bolsonaro usou cerimônia de entrega de chaves de empreendimento do programa Minha Casa Minha Vida em Belém para pedir ao público e autoridades presentes pressão sobre o Congresso pela aprovação do decreto que flexibiliza o porte de armas no país.

Em discurso de seis minutos, Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (13) que os políticos devem trabalhar pela população. Ele lembrou do episódio da facada da qual foi vítima em Juiz de Fora (MG). “Fui candidato e me elegi quase que por um milagre, quando, por milagre, Deus salvou a minha vida. E pelas mãos de vocês, eu cheguei a essa Presidência da República”, disse.

Ao dizer que está fazendo de tudo para cumprir suas promessas de campanha, Bolsonaro dirigiu-se aos presentes: “Eu apelo aos parlamentares aqui agora, não deixem o Senado e a Câmara revogar, derrubar o nosso de decreto das armas”.

O presidente reiterou que o objetivo da lei é permitir ao “cidadão de bem, se assim desejar, ter uma arma dentro de casa” e afirmou que sua intenção era fazer cumprir o referendo de 2005, “quando o povo decidiu pelas armas.” Na consulta, 63% dos participantes votaram a favor do comércio de armas.

O decreto assinado por Bolsonaro flexibiliza as regras sobre o porte (autorização para transportar e carregar a arma consigo, fora de casa ou do local de trabalho) de armas e munições no país.

As regras se somam àquelas sobre posse de armas —ou seja, o direito de ter o armamento em casa ou no trabalho (caso seja responsável legal pelo estabelecimento)— que foram flexibilizadas também em decreto, numa das primeiras medidas de Bolsonaro após tomar posse, em janeiro.

Nesta quinta, Bolsonaro defendeu ainda a exploração de reservas naturais no país e disse que buscaria regularizar o garimpo no país.

Bolsonaro esteve na capital paraense para a entrega de 1.296 unidades de um residencial do programa Minha Casa Minha Vida voltado a famílias com renda até R$ 1.800 –a atual faixa 1.

Se as novas regras propostas pelo governo entrarem em vigor, a faixa 1 sofrerá uma significativa mudança de perfil de beneficiários —somente poderão se inscrever aqueles que ganharem até um salário mínimo (mais um fator de localização não detalhado ainda). A proposta ainda será submetida ao Congresso.

O evento foi montado como um show. No palco, autoridades como o ministro Gustavo Canuto (Desenvolvimento Regional), o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB) —sentado ao lado de Bolsonaro—, e o prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho (PSDB).

Na área VIP, mais próxima ao palco, convidados da Prefeitura —vários usavam camiseta do Funpapa, de assistência social, e coletes da Defesa Civil. Zenaldo, reeleito prefeito em 2016, foi ovacionado e teve o nome gritado por mais tempo e com mais intensidade do que o do próprio presidente.

E no fundão, os populares —alguns moradores das unidades já entregues e outros que estão na fila para obter uma casa no empreendimento.

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