Grupo inter-religioso mostra inclusão e tolerância na Parada LGBTI+

Movimento busca mostrar que diversidade sexual e fé podem caminhar juntas

Anna Virginia Balloussier Artur Rodrigues
São Paulo

A programadora de web Kasumi Takara (idade não revelada, a pedido) quer levar a palavra do Senhor à Parada LGBTI+. E o faz com uma capa nas cores do arco-íris, uma peruca negra, collant e bota prateados e uma maquiagem fosforescente.

Kasumi está com o bloco Gente de Fé Contra a LGBTfobia, grupo interreligioso que foi à avenida Paulista neste domingo (23) para mostrar que, ao contrário da posição dominante em muitos credos, há gente nas igrejas que não vê a diversidade sexual como um mal a ser combatido.

Evangélicos, católicos, mórmons, budistas e mães de santo formavam a linha de frente do movimento. A maioria é parte da comunidade LGBTI+ e encontrou abrigo nas chamadas igrejas inclusivas, que não tratam diferentes orientações sexuais e de gênero como pecado.

Tanta perseguição àqueles desalinhados a tal da família tradicional criou uma certa desconfiança no meio, e até mesmo desprezo, com a religião no meio.

O advogado Alexandre Pupo, 26, acha importante "aproximar os segmentos para falar que existe espaço de diálogo". E a luta começa dentro da própria igreja, diz.

Ele é metodista, uma denominação que, se fez acenos aos LGBTI+ nos EUA, no Brasil "ainda é ultraconservadora", segundo Alexandre. "Muitos bispos apoiaram Jair Bolsonaro. A instituição preferia que eu não estivesse lá, sinceramente."

Para o advogado, igreja e conservadora não devem ser encarados como um pleonasmo. Opinião também do mórmon Luiz Correa, 51, da ONG Afirmação.

Sua igreja não vai expulsar um membro gay, diz. "Mas, se você quer estar dentro dela, sua opção é ficar no celibato."

Por anos ele tentou se enquadrar no que ouvia dizer que era o "normal". Foi casado, teve filhos e chegou a ter um cargo de liderança entre os mórmons brasileiros.

Por isso está convencido de que na Marcha para Jesus, evento evangélico que aconteceu na cidade três dias antes, "com certeza muitos líderes são gays".

Ao seu lado, a mãe de santo Cristina carrega um estandarte que diz "Exu te orienta: use camisinha e proteja-se!", e um rapaz, ao ver aqueles religiosos todos, solta: "Enfim um crente que é gente".

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