Descrição de chapéu Obituário João Arnolfo Carvalo de Oliveira (1950 - 2019)

Mortes: Jornalista, defendeu causas diversas ao longo da vida

Foi preso e torturado, em 1970, com a esposa

Thiago Amâncio
São Paulo

João Arnolfo foi um homem de causas. A primeira delas foi a democracia. Atuava na política ainda estudante em Goiânia (GO), quando, em 1969, a ditadura proibiu o movimento estudantil. 

“Aquilo foi praticamente um sinal de que não haveria mais espaço para uma resistência, digamos, não violenta da nossa parte”, disse numa entrevista 40 anos depois à TV Justiça.

Entrou na célula goiana do grupo de guerrilha VAR-Palmares. Dessa época, falava pouco, conta o filho Inti, “por conta de tudo o que passou, da tortura, mas às vezes dizia ‘aqui foi onde eu me escondi, aqui estouramos um banco’.”

Foi preso e torturado em 1970, com a esposa, Eliane. Em agosto daquele ano, seu nome aparecia nesta Folha e em outros jornais. 

A reportagem “Jovens repudiam terrorismo e fazem apelo” trazia seu depoimento e de outros colegas arrependidos por terem feito parte da luta armada.

O filho explica: os militares chantagearam-no e negociaram a liberação da mulher se ele desse entrevistas em que renegava a luta armada.

João Arnolfo Carvalo de Oliveira (1950-2019)
João Arnolfo Carvalo de Oliveira (1950-2019) - Reprodução
 

Fora da prisão meses depois, mandou-se para São Francisco, nos EUA, coração do movimento hippie.
De volta ao Brasil no meio dos anos 1970, trabalhou em jornais como repórter e editor de economia, antes de ir para o setor público, no Ministério da Fazenda e na TV Câmara.

Foi nessa época que se engajou na sua segunda grande causa: a ambiental. Filiado ao PV, concorreu ao Senado em 2002, sem sucesso.

Nos últimos anos, a legalização da maconha foi outra luta que o moveu. Viajou à Califórnia, nos EUA, e ao Uruguai  para estudar experiências de liberalização da droga.

“Meu pai tinha esse diferencial, que não era um cara muito tradicional”, explica Inti.
“Era uma pessoa engajada, com opiniões fortes, com causas definidas”, relembra o amigo José Carlos Sigmaringa.

Acometido por um câncer no pâncreas em agosto do ano passado, João Arnolfo morreu no último dia 29. Deixa quatro filhos e dois netos.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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