Descrição de chapéu Rio de Janeiro

Moradores relatam invasão de domicílio e roubos em operação da PM no Rio

Atuação no Complexo da Maré aconteceu nesta segunda e terça-feira (11)

Ana Luiza Albuquerque
Rio de Janeiro

Moradores do Complexo da Maré, conjunto de favelas na zona norte do Rio de Janeiro, estão desde a manhã de segunda-feira (10) em estado de alerta, após o início de uma operação da Polícia Militar na comunidade.

Eles relatam que tiveram suas residências arrombadas por agentes, sem a apresentação de mandado judicial. Alguns afirmam que tiveram pertences roubados.

A polícia entrou na favela no início da manhã de segunda. Segundo moradores, a operação continuou durante a madrugada e na manhã desta terça (11). A PM informou que recuperou 6 patinetes elétricas e 24 carros, além de drogas e uma granada.

Policiais militares fazem operação em comunidades do complexo da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro
Policiais militares fazem operação em comunidades do complexo da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro - José Lucena/Futura Press/Folhapress

Três pessoas que não quiseram se identificar, com medo de represálias, disseram à Folha que tiveram suas residências invadidas por policiais. Os agentes, com toucas ninja, estariam sem identificação. Um dos moradores diz ter sido acordado pela lanterna do fuzil de um agente dentro de sua casa.

Outro morador contou à reportagem que uma vizinha ligou para avisar que a polícia havia invadido sua residência. Quando voltou, notou o sumiço de R$ 2.000 que havia guardado dentro de uma bolsa.

O coletivo Maré Vive, formado por moradores da comunidade, afirma ter recebido diversos relatos semelhantes desde o início da operação. Alguns foram compartilhados nas redes sociais do grupo. 

"Eles não estão só entrando, estão torturando. Minha vizinha grávida apanhou muito", diz uma mensagem enviada ao Maré Vivé, divulgada pelo coletivo.

Nos comentários das publicações, moradores também relatam que tiveram suas residências invadidas ou que vizinhos passaram pela mesma situação. Um homem diz que teve um videogame roubado. Outro pede ajuda porque a polícia tentava entrar em sua casa e ele não sabia o que fazer.

"Tô desesperado dentro de casa. Acabei de chegar do trabalho a polícia tá tentando abrir meu portão... Meu pior medo que moro sozinho eles entrar e me matar..."

O grupo Maré de Direitos informou que recebeu três relatos de violação de domicílio sem mandado judicial, seguidos de invasão de privacidade, com a apreensão de celulares. Nos três casos, segundo moradores narraram à equipe, houve violência física e psicológica.

Em nota, a Polícia Militar afirmou que pune com o máximo rigor qualquer desvio de conduta de seus agentes. O texto diz que a Corregedoria disponibiliza canais para receber denúncias de ações ilícitas envolvendo policiais, garantindo o anonimato da fonte.

Questionada se a corporação investigará o caso ou se nega os relatos, a assessoria da PM disse pelo telefone que, para haver apuração, é necessário que os moradores se manifestem formalmente à Corregedoria da polícia, o que ainda não ocorreu.

Em maio, moradores denunciaram à Defensoria Pública o uso de helicópteros como plataforma de tiros em operação da Polícia Civil que matou oito pessoas na Maré.

Na ocasião, eles também relataram que domicílios foram invadidos e que pessoas foram mortas mesmo depois de terem sido rendidas pelos agentes. 

Desde 2016, uma ação civil pública proposta pela Defensoria em conjunto com o grupo Redes Maré pede um plano de redução de danos em operações na comunidade.

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