Grupo se disfarça de policiais federais e rouba 720 kg de ouro em SP; veja vídeos

Criminosos mantiveram família de funcionário refém e realizaram ação em dois minutos e meio

Rogério Pagnan Artur Rodrigues Júlia Zaremba
São Paulo

Em uma ação inédita, um grupo de criminosos roubou cerca 720 quilos de ouro —cujo valor estimado supera R$ 120 milhões— de uma empresa de transporte de valores no aeroporto de Guarulhos, na tarde desta quinta (25), sem deixar feridos.

O bando se disfarçou de policiais federais e usou duas viaturas clonadas. Nenhum tiro foi disparado durante a ação, que durou cerca de dois minutos e meio. Não estava claro, até a conclusão desta edição, a quem pertencia a carga.

Segundo a Polícia Civil e a Militar, os ladrões tomaram a família de um funcionário da empresa como refém na véspera do assalto para forçá-lo a colaborar com informações para a ação criminosa.

Ele trabalha como encarregado de despacho do aeroporto, já prestou depoimento, mas não quis dar declarações à imprensa.

Quatro adultos e quatro crianças passaram em torno de 20 horas na mira de criminosos em uma casa no bairro de São Miguel Paulista (zona leste), até serem liberados por volta das 15h desta quinta-feira, ao fim da ação. Todos estavam fisicamente bem, segundo a polícia.

Os adultos —dois homens e duas mulheres— foram levados ao Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais). No início da noite, prestavam depoimento a esposa e a sogra do funcionário, além de funcionários do aeroporto.

O caso é agora apurado pela 5ª Delegacia de Polícia de Investigações sobre Furtos e Roubos a Bancos, no Carandiru (zona norte de São Paulo). 

Procurada pela Folha, a empresa Brinks, que faz o transporte de valores, afirmou estar colaborando com as autoridades para apurar o ocorrido, sem dar mais informações. 

O roubo ocorreu por volta das 14h30, no armazém de exportação do Terminal de Cargas, informou a concessionária responsável pelo Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, a GRU Airport. Segundo a empresa, a operação de embarque e desembarque não foi prejudicada. 

Imagens obtidas pela reportagem mostram que os homens chegaram armados com pistolas e fuzil a bordo de dois veículos simulando viaturas da Polícia Federal, entraram no armazém do Terminal de Cargas e utilizaram os funcionários e uma empilhadeira para transferir o ouro para dentro de uma das caminhonetes utilizadas no roubo.

A GRU Airport afirmou que participaram da ação oito homens. Foram levados 750 kg de metais preciosos, incluindo os 720 kg de ouro, que tinham como destino Zurique e Nova York. 

As caminhonetes clonadas foram abandonadas no final da tarde em um terreno no Jardim Pantanal, zona leste da capital, a cerca de 12 km do local do assalto. Foi nesse terreno que os bandidos fizeram o transbordo dos metais preciosos roubados para outras duas caminhonetes, de cor branca, e fugiram rumo ao interior do estado.

Na noite desta quinta, a polícia informou que também havia localizado as caminhonetes brancas usadas na fuga, sem dizer o local. Informou também que não havia registro de que os veículos clonados eram roubados.

Representantes da Brinks e o casal que achou os veículos também foram ouvidos pela polícia, e as viaturas clonadas passaram por perícia e foram enviadas ao pátio da polícia.

Policiais civis, militares e da Polícia Rodoviária Federal lançaram uma operação, no início da noite, para localizar os veículos e os bandidos, que ainda estão em fuga.

Alguns moradores que viram os criminosos chegarem afirmam que a ação foi discreta. Um morador da rua disse que, do alto de uma casa, observou os criminosos descarregarem os veículos. “Estavam encapuzados e armados até os dentes. Foi rápido, depois deixaram o refém e já era.”

O dono e os funcionários que estavam no galpão onde o ouro foi transferido também seriam levados ao Deic para prestar depoimento —por ora, são todos tratados como testemunhas.

À Folha, o responsável pelo terreno, que pediu para não ser identificado, afirmou que tinha saído do local quando os bandidos chegaram.

Curiosos cercaram o local, o que levou os policiais a dispararem algumas bombas sonoras para dispersar. 
Após a polícia deixar o terreno, os donos do imóvel tentavam expulsar moradores que queriam pular o muro para procurar ouro que pudesse ter sido deixado para trás.  

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