Doria desiste de monotrilho para o ABC, que agora terá sistema de ônibus rápido

Governador fez aceno à região prometendo modernização de trens e linha de metrô

São Paulo

O governador João Doria (PSDB) anunciou nesta quarta-feira (3) que desistiu do projeto de construir um monotrilho até a região do ABC. Para compensar a medida, Doria anunciou que fará um BRT (sigla em inglês para sistema de transporte com ônibus rápidos) até a região, modernizará a linha da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) que liga a região ao centro de São Paulo e autorizará estudos para a futura linha 20 do Metrô, ligando o ABC ao bairro da Lapa, na zona oeste de São Paulo.

Desde o início do governo Doria, o secretário de transportes Alexandre Baldy falava sobre a dificuldade de avançar com o projeto do monotrilho da linha 18-bronze. Anunciada em 2009, a linha ligaria a estação Tamanduateí do Metrô, a São Bernardo do Campo.

A maior ressalva era sobre os custos da construção e das desapropriações ao longo do trajeto da linha. 

Governados João Doria anunciou fim do projeto de monotrilho para o ABC, que será substituído por um BRT
Governados João Doria anunciou fim do projeto de monotrilho para o ABC, que será substituído por um BRT

Um contrato de uma PPP já havia sido assinado em 2014 entre o governo do estado e o consórcio  VemABC para a construção da linha, mas não saiu do papel.  Segundo Doria, o monotrilho custaria, em valores atualizados, R$ 6 bilhões. Um BRT deverá sair, segundo o governo estadual, por até R$ 680 milhões. 

Por isso, o governo do Estado defendeu a troca do monotrilho pelo BRT. Segundo Doria, o BRT conseguirá dar conta da demanda atual da região, atendendo de 150 mil a 340 mil passageiros por dia. O tronco de ônibus rápidos deverá ter grandes estações de embarque, pagamento feito antes da entrada no veículo e um centro operacional para controle do fluxo de ônibus. 

O governo ainda não sabe qual será o modelo de contratação da obra (se PPP ou concessão simples). Uma decisão sobre o tipo de contrato deve sair até agosto. Até lá, Doria terá que negociar também com o consórcio já contratado para construção do monotrilho e que disse ter investido R$ 5 milhões, antes mesmo do início das obras. 

Depois das negociações, o governo do estado se comprometeu com uma obra de um ano e meio de duração. O tempo de execução da obra também foi usado para justificar a troca do monotrilho, que teria quatro anos de construção, por um BRT.

Ao explicar a desistência do monotrilho da linha 18-bronze, Doria disse não gostaria de comentar decisões de governos passados. O projeto era uma das linhas tocadas pelo ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) que não avançou. Já o secretário Baldy usou as obras paradas do monotrilho da linha 17-ouro como contraexemplo do que gostaria que acontecesse em São Paulo. O atraso monotrilho da linha 17-ouro é um dos grandes fracassos de Alckmin no transporte metropolitano

Desde que o governo Doria anunciou que planejava trocar o monotrilho por um BRT, surgiram críticas na região do ABC. Para compensar a troca do monotrilho por um meio de transporte aparentemente mais simples, Doria acenou com outras duas novidades para a região. O anúncio das medidas foi feito ao lado dos prefeitos de Santo André, São Bernardo e São Caetano do Sul.

A primeira é a modernização da linha 10-turquesa, que liga o Brás, na capital, a Rio Grande da Serra. A promessa é melhorar a sinalização da via (minimizando atrasos e diminuindo intervalos), a construção de uma nova estação em Santo André e também a colocação de trens mais novos para atender este trecho.

Os trens mais novos, com dez anos de idade, devem chegar na próxima semana à linha que serve ao ABC. Eles deverão substituir 18 dos 24 trens que têm 45 anos e ainda circulam pela linha.

Mas como a CPTM não tem trens em estoque ou prestes a serem entregues, os trens mais novos anunciados pelo governo do Estado sairão de outras linhas da Grande São Paulo onde já estão atendendo passageiros.

Segundo um relatório da CPTM, a frota 7500, que deve ser levada para a linha 10-turquesa, hoje circula pelas linhas 9-esmeralda, 11-coral, e 12-safira. A decisão sobre de onde devem sair esses trens ainda não foi tomada.

Outro aceno de Doria para o ABC foi a autorização do avanço de estudos para a linha 20-rosa, ligando a Lapa a Santo André. A linha é uma das que estavam na gaveta do Metrô, mas sem grandes avanços até agora. Em seu traçado atual, que ainda pode ser alterado, a linha sairia da Lapa, na capital, avançaria pela avenida Faria Lima (onde faria conexão com a linha 4-amarela), passaria pela linha 5-lilás (na altura de Moema), pela estação São Judas (na linha 1-azul) e chegaria até Santo André.

Até a construção desta linha, porém, o governo Doria tem ainda de terminar a linha 15-prata, a 17-ouro, a 6-laranja e fazer a expansão da linha 2-verde

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