Descrição de chapéu Tragédia em Brumadinho

Família de vítimas de Brumadinho cria instituto para defender ambiente e mulheres

Irmãos Camila e Luiz Taliberti, de 33 e 31 anos, morreram com rompimento de barragem

São Paulo

O rompimento da barragem de rejeitos da Vale em Brumadinho (MG), em 25 de janeiro, matou os dois filhos, o ex-marido, a nora e o neto que estava para nascer da economista Helena Taliberti, 62. 

Os irmãos Camila e Luiz Taliberti, de 33 e 31 anos, o pai deles, Adriano da Silva, 61, a esposa de Adriano, Maria Lurdes Bueno, 58, e a esposa de Luiz, Fernanda Damian, 30, grávida de cinco meses, estavam na lista de hóspedes da Pousada Nova Estância, soterrada pela lama. 

A indignação serviu de combustível para a família e os amigos das vítimas criarem uma organização com o objetivo de lutar pelas duas principais causas defendidas por Camila e Luiz: o empoderamento feminino e a defesa do meio ambiente —a escolha deste último tema também está relacionada à tragédia.

O Instituto Camila e Luiz Taliberti será lançado nesta quinta-feira (25), seis meses após o rompimento da barragem. “O desafio foi não transformar indignação em raiva”, diz o engenheiro Vagner Diniz, 61, padrasto de Camila e Luiz.

Camila era advogada especializada em direito digital. Paralelamente, oferecia assistência jurídica gratuita a mulheres em situação de vulnerabilidade, tais como vítimas de violência doméstica, no âmbito de um projeto oferecido por uma igreja. 

Formado em arquitetura, Luiz vivia na Austrália havia cerca de quatro anos. Surfista, mudou-se porque acreditava que teria mais qualidade de vida por lá. Em dezembro de 2018, poucos meses antes do desastre, havia sido promovido a diretor de um escritório de arquitetura. 

Luiz Taliberti, Camila Taliberti e Fernanda Damian, mortos após rompimento de barragem em Brumadinho
Luiz Taliberti, Camila Taliberti e Fernanda Damian, mortos após rompimento de barragem em Brumadinho - Arquivo pessoal

A viagem para Brumadinho foi motivada pelo desejo de Luiz de conhecer o Instituto Inhotim, um dos maiores acervos de arte contemporânea do país. A ocasião serviria também como uma celebração, já que ele não via a irmã havia dois anos. 

Cerca de 40 pessoas estão envolvidas no projeto, conta Helena. A ideia é investir e captar fundos para financiar iniciativas do próprio instituto e de terceiros relacionados a direitos da mulher e meio ambiente. Em agosto, o grupo deve definir os projetos prioritários. 

Também planejam realizar workshops e palestras. As primeiras atividades do tipo devem ser feitas em Brumadinho. Por ora, o instituto não terá um espaço físico —as discussões serão feitas por meio da internet. 

“Não queremos ser mais um instituto. Queremos fazer o que os outros não fazem”, diz Helena. “Precisamos estudar como começar e o que vamos fazer. Que Luiz e Camila nos inspirem nesse começo, para fazer o projeto florescer.”

​Segundo Vagner, o grupo pretende investir em redes sociais, na produção de pequenos filmes e até em música para divulgar as iniciativas. Entre os envolvidos, há desde médico até cineasta, diz ele. 

Para Helena, o instituto representa a continuidade do sonho dos irmãos: “Existe um provérbio mexicano que diz: ‘eles tentaram nos enterrar, mas não sabiam que nós éramos sementes’. Eu acho que é isso. Foi isso que eles plantaram no coração de cada um que passou pela vida deles. E tenho certeza que vai florescer.”

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