Descrição de chapéu Rio de Janeiro

Justiça do Rio aceita denúncia contra segurança que estrangulou estudante

Jovem morreu após ataque em um supermercado da Barra da Tijuca, em fevereiro

Diego Garcia
Rio de Janeiro

A Justiça do Rio de Janeiro, por decisão do juiz Alexandre Abrahão Dias Teixeira, aceitou uma denúncia contra os seguranças Davi Ricardo Moreira Amâncio e Edmilson Felix Pereira pela morte de um jovem dentro do supermercado Extra, da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

A informação foi confirmada pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, em ação que está na 3ª vara criminal da capital fluminense.

Jovem imobilizado por segurança em supermercado no Rio; ele acabou morrendo
Jovem é imobilizado por segurança em supermercado no Rio; ele acabou morrendo - Reprodução

O primeiro, Amâncio, vai responder por ter causado a morte do estudante Pedro Henrique de Oliveira Gonzaga, 19, em 14 de fevereiro. O óbito foi ocasionado após o segurança imobilizar e estrangular o jovem. O segundo acusado, Felix, por sua vez, foi denunciado por não ter impedido a ação do colega. 

Um cliente filmou o incidente, menciona a ação que corre na 3ª vara criminal do Rio. Davi ficou em cima de Pedro por quatro minutos, aproximadamente, mesmo com os apelos de outros clientes que observavam a cena e alertavam que o estudante estava sufocando.

O Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro tentou socorrer o jovem, que teve uma parada cardiorrespiratória ainda no supermercado e morreu em seguida, já no hospital. As lesões provocadas pelo golpe que Amâncio aplicou no jovem levaram-no à morte, de acordo com laudo do exame de necropsia. 

O promotor Fabio Vieira dos Santos entendeu que Amâncio estrangulou a vítima "de forma livre e consciente, assumindo o risco de matar", e que seu colega Edmilson Felix Pereira, 27, observou sua conduta sem nada fazer. Como vigilante contratado pelo mercado, ele deveria ter atuado para evitar o crime e não se omitido, disse o promotor. 

Na versão do advogado de Amâncio, a vítima simulou um primeiro desmaio e uma convulsão. O segurança foi então socorrê-la quando Pedro teria pego  uma arma que estava em sua perna, ameaçando clientes. O vigia teria pensado, ao vê-lo desacordado, que ele estava fingindo um novo desmaio. Decidiu contê-lo até a polícia chegar.

Amâncio, inicialmente indiciado por homicídio culposo (quando não há intenção de matar), agora responde por homicídio doloso (com intenção de matar). Dinalva dos Santos de Oliveira, a mãe de Pedro Henrique, estava ao lado do filho, que era dependente químico, quando ele foi morto.

Assim, de acordo com a decisão da Justiça do Rio de Janeiro, os réus estão proibidos de se aproximarem de parentes da vítima ou testemunhas e precisam comparecer ao juízo entre 1 e 10 de cada mês. Também estão proibidos de deixar a cidade por prazo superior a 10 dias, sem prévia autorização do tribunal.

"Encontrei a materialidade e os indícios mínimos de autoria do injusto do tipo imputado aos denunciados. Há, portanto, justa causa para a admissão da acusação, sendo certo que, no bojo do processo, à luz dos princípios do contraditório e da ampla defesa, poderão ser confirmadas, ou não, as acusações dirigidas aos denunciados", proferiu em sua decisão o juiz Alexandre Abrahão Dias Teixeira.

A reportagem não localizou a defesa do segurança Edmilson Felix Pereira.

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