Massacre em presídio do Pará é o maior motim do ano no país

Presídio de Altamira teve rebelião com 7 mortes no ano passado

São Paulo

A rebelião que deixou 58 mortos em Altamira (PA) nesta segunda-feira (29) é a maior chacina do ano dentro de presídios do país e mais um episódio da crise que atinge o sistema carcerário do Brasil nos últimos três anos, com sequência de motins com alto número de assassinatos.

O próprio Centro de Recuperação de Altamira, onde morreram os detentos desta segunda, já havia sido palco de uma rebelião em setembro do ano passado, em que sete pessoas foram mortas.

Também no ano passado, em abril, 22 pessoas morreram em uma rebelião seguida de tentativa de fuga no Centro Penitenciário de Recuperação do Pará, no Complexo de Santa Izabel, região metropolitana de Belém. Entre os mortos, havia um agente prisional, 16 presos e cinco criminosos que ajudavam na fuga pelo lado de fora da prisão.

 

O episódio desta segunda supera o que ocorreu em maio, quando 55 presos foram assassinados em presídios de Manaus, reflexo de uma disputa interna pelo comando da facção Família do Norte (FDN). Em geral, o pano de fundo desses massacres são disputas entre facções pelo controle do crime.

Parte dessas mortes aconteceu no Compaj (Complexo Penitenciário Anísio Jobim), onde, no Ano Novo de 2017, 59 detentos já haviam sido assassinados —outras oito pessoas foram mortas nos presídios do estado nos dias seguintes, o que somou 67 assassinatos em uma semana.

A crise de janeiro de 2017 deixou um rastro de mortes também em Roraima e no Rio Grande do Norte. Na madrugada de 6 de janeiro, 33 presos foram assassinados na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, em Boa Vista. Um motim na maior penitenciária do RN, Alcaçuz, deixou mais 26 mortos.

Outros grandes massacres em presídios do país

1992
Carandiru (São Paulo): Polícia entra em presídio após confronto generalizado e mata 111 presos

2017
Manaus: na virada do ano, série de rebeliões deixou 67 mortos em uma semana

2019
Altamira: disputa de facções pelo controle do Centro de Recuperação Regional de Altamira deixa 58 mortos

2019
Manaus: em dois dias, rebeliões em quatro presídios deixam 55 mortos

2017
Boa Vista: em reação às mortes ocorridas em Manaus dias antes, detentos matam 33 pessoas

2004
Rio de Janeiro: rebelião na Casa de Custódia de Benfica deixou mortos 30 presos e um agente penitenciário

1987
São Paulo: entrada da PM na Penitenciária do Estado para conter motim deixa 31 mortos

2002
Porto Velho: com decapitação, choque elétrico e enforcamento, motim no presídio Urso Branco termina com 27 mortos

2017
Nísia Floresta (RN): dando sequência à crise de janeiro de 2017, motim deixa 26 mortos na Penitenciária de Alcaçuz

2018
Santa Izabel (PA): rebelião e tentativa de fuga termina com 22 mortos na região metropolitana de Belém 

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