Descrição de chapéu Obituário Paulo Lébeis Bomfim (1926 - 2019) (1926 - 2019)

Mortes: 'Príncipe dos poetas', dedicou sua vida a escrever sobre São Paulo

O escritor era decano da Academia Paulista de Letras

Manoella Smith
São Paulo

​Em 2014, quando o poeta Paulo Bomfim recebeu homenagem pelo conjunto da obra no prêmio Governador do Estado para a Cultura, disse que aquilo era sua confirmação, sua “crisma”.

Decano da Academia Paulista de Letras, o “príncipe dos poetas”, como era conhecido, se dizia descendente de bandeirantes e de fundadores de cidades no interior do estado. “Era talvez o que mais conhecia a história de São Paulo”, diz José Renato Nalini, presidente da instituição.

“Por mais que acenassem para que ele fosse para a Academia Brasileira, dizia que o seu lugar era em São Paulo”, completa. 

Nascido em 30 de setembro de 1926, na capital paulista, Bomfim cresceu na região central. Talvez por causa disso, teve a cidade como tema principal de sua escrita. 

Sobre a praça Marechal Deodoro, no centro, dizia ter jogado bilhar ali com Quincas, irmão de Nelson Gonçalves. “O lugar era um ponto de encontro de boêmios”, afirmou o escritor em uma entrevista à Folha em 2014. 

Antes de entrar para a academia paulista, em 1963, iniciou sua carreira jornalística em 1945, no Correio Paulistano, indo a seguir para o Diário de São Paulo a convite de Assis Chateaubriand. 

Seu livro de estreia foi “Antônio Triste”, publicado em 1947, com prefácio assinado por Guilherme de Almeida e ilustrações de Tarsila do Amaral. A obra rendeu a ele o Prêmio Olavo Bilac, da Academia Brasileira de Letras. Além de amigo de Tarsila, Bomfim foi próximo de expoentes do modernismo como Oswald de Andrade e Anita Malfatti. Para Nalini, o escritor foi um “grande inspirador” e a pessoa mais influente da academia. 

Paulo Bomfim morreu neste domingo (7), aos 92 anos, em São Paulo, a cidade que ele tanto amou e sobre a qual tanto escreveu. Ele não resistiu a complicações decorrentes de uma queda que sofreu em casa. Bomfim deixa dois netos.

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