Descrição de chapéu Obituário Pedro Dumont (1994 - 2019)

Mortes: Tenista brasiliense, levou paixão pelo esporte até seus últimos dias

Ambicioso, seu tratamento contra o câncer não o impediu de viver do esporte

Caroline Amaral ‎Coutinho
São Paulo

Com o tempo dividido entre o hospital e a quadra de tênis: foi assim os últimos meses de Pedro Dumont, que morreu na sexta-feira (12). 

Isso porque quando ele decidiu trabalhar na Match Point, clube de tênis no DF de referência nacional, ele ainda estava em tratamento. No final do ano passado, o jovem passou por um transplante de medula óssea, mas seu quadro voltou a piorar. Mesmo assim, não deixou sua rotina de professor.

O tenista Pedro Dumont, que morreu na sexta-feira (12).
O tenista Pedro Dumont, que morreu na sexta-feira (12). - Arquivo Pessoal

Foi seu pai, Santos Dumont, 50, técnico de tênis, que o apresentou o esporte. Desde adolescente, Pedro já mostrava sua ambição e vocação ganhando o campeonato brasileiro e sul-americano.

Pensando em expandir seu talento além da região brasiliense, decidiu viajar. Morou em Itajaí (SC) e Porto Alegre (RS), depois na Argentina. Terminou nos Estados Unidos, onde conseguiu uma bolsa para estudar no Mississippi, e depois na Universidade de West Florida, onde conheceu sua noiva, Nicole Chabot.

Lá, em 2014, Pedro descobriu um tumor benigno no abdômen. Foi o primeiro de quatro. O segundo era um sarcoma sinovial —um tipo de tumor maligno que atinge os ligamentos corporais—, que  apareceu um ano depois, no mesmo local. 

De volta ao Brasil, começou então um longo período de quimio e radioterapia.

Quando seu quadro apresentou melhoras, Pedro voltou aos aos Estados Unidos, dessa vez para se tornar campeão regional e nacional de duplas universitárias norte-americanas em 2016. “Muitos atletas reclamam dizendo que o esporte é muito difícil hoje. Difícil foi o que o meu filho passou,” afirmou Santo.

Depois de se formar em 2018, Pedro trabalhou como professor de tênis em Nova Iorque. Não durou muito tempo: em abril, Pedro voltou às pressas para Brasília. O tumor havia voltado.

Já se recuperando, Pedro se tornou sócio do clube Match Point. Durante um tempo, sentia dor durante as aulas. A doença tinha voltado, desta vez com mais intensidade, o que levou o jovem a ser internado no Hospital de Brasília.

Durante esse período, seu amigo de infância, o tenista Thiago Monteiro, 25, estava jogando a Copa Davis, na Bélgica. Quando voltou para o Brasil, foi ver Pedro.

Neste encontro seu amigo falou que desejava que sua trajetória com o câncer tinha que ter um propósito de marcar e ajudar outras pessoas. “Acho que essa mensagem foi, sem dúvida, passada,” afirmou Thiago.

Hoje, seus pais visam criar um evento filantrópico ligada ao tênis em homenagem ao filho. 

Pedro Dumont morreu na sexta-feira (12), aos 25 anos, e foi enterrado no sábado (13). Deixa seus pais e sua irmã, Rafaela, de nove anos. Levou consigo seu talento, mas deixou, em troca, sua história como inspiração.

​​coluna.obituario@grupofolha.com.br

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