PF prende suspeita de envolvimento em massacre em presídios do AM

Sheila Maria Faustino Peres é mulher de traficante fundador de facção criminosa FDN

Fabiano Maisonnave
Manaus

A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (10) Sheila Maria Faustino Peres, suspeita de envolvimento no massacre de 55 presos em penitenciárias de Manaus no final de maio. Ela foi pega no aeroporto internacional de Guarulhos quando tentava embarcar para a Espanha. 

Peres é mulher do traficante João Pinto Carioca, o João Branco, um dos fundadores da facção criminosa Família do Norte (FDN), atualmente em um presídio federal fora do Amazonas. A prisão dela é temporária. 

Foto sem data de Sheila Peres, detida nesta quinta-feira (10) em Guarulhos quando embarcava para a Espanha; ligada ao narcotráfico, é suspeita de envolvimento em massacre que deixou 55 mortos em presídios de Manaus. - Divulgação

Há dois anos, João Branco rompeu com a outra liderança histórica da FDN, José Roberto Barbosa, o Zé Roberto da Compensa. A ordem para a matança de maio teria vindo de Branco e repassada por Peres, segundo ao menos um depoimento dado à Polícia Civil do Amazonas. Os mortos seriam fieis ao ex-aliado. 

Em 2014, Peres teria sido o pivô do assassinato do delegado da Polícia Civil Oscar Cardoso, morto com cerca de 20 tiros quando chegava a casa, em Manaus. Segundo as investigações, o mandante foi João Branco, em vingança pelo policial ter estuprado a sua mulher, no ano anterior. 

Em pouco mais de dois anos, a FDN já protagonizou duas chacinas no sistema carcerário de Manaus. Em janeiro de 2017, a facção deu a ordem de assassinar integrantes da facção rival Primeiro Comando da Capital (PCC), que deixou 67 mortos em diversas cadeias da cidade.

A reportagem não conseguiu localizar a defesa de Peres.

HISTÓRICO DE MASSACRES

No Ano Novo de 2017, Manaus protagonizou a morte de 59 detentos no Compaj —até então, o maior massacre de presos desde o Carandiru, em 1992.

Naquele mesmo ano, a crise prisional se estendeu para outros estados. Quatro dias depois da chacina nas unidades prisionais do Amazonas, 33 presos foram assassinados no maior presídio de Roraima, a Penitenciária Agrícola de Monte Cristo.  

Também no início de 2017, um motim deixou pelo menos 26 mortos, decapitados ou carbonizados, na penitenciária de Alcaçuz, em Nísia Floresta, a maior do Rio Grande do Norte.

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