Servidores do Paraná ocupam prédio da Assembleia Legislativa

Funcionalismo cobra proposta de reajuste de salários, congelados há quatro anos

Servidores estaduais prometem manter ocupação na Assembleia do Paraná até nova proposta de reajuste
Servidores estaduais prometem manter ocupação na Assembleia do Paraná até nova proposta de reajuste - Euclides Lucas Garcia
Katna Baran
Curitiba

Servidores públicos estaduais, principalmente professores, ocuparam a Alep (Assembleia Legislativa) do estado na tarde desta terça-feira (9). As categorias estão em greve desde o dia 25 e reclamam pelo reajuste salarial, congelado há quatro anos.

Segundo a APP-Sindicato, que representa os professores do estado, cerca de 30 mil pessoas participavam de um ato pacífico em frente à Alep. Alguns também preenchiam as galerias da Casa no momento da sessão. Às 16h, um discurso do deputado Ricardo Arruda (PSL) inflamou o ânimo dos manifestantes que acabaram entrando no prédio público.

Depois de protestos, a sessão parlamentar chegou a ser retomada, mas foi “acelerada” e acabou por volta de 16h30. Os acessos ao plenário da Casa foram fechados e, até à noite, servidores ocupavam as galerias e as entradas principais do prédio.

Da tribuna, o parlamentar do PSL disse que houve aumentos salariais para os servidores que hoje, segundo ele, ganham 35% a mais que a iniciativa privada. Ele também ressaltou que os próprios parlamentares estão sem reajuste há quatro anos.

O governador Ratinho Junior em seu gabinete no Palácio Iguaçu, em Curitiba
O governador Ratinho Junior em seu gabinete no Palácio Iguaçu, em Curitiba - Theo Marques/Folhapress

“Houve aumentos para os servidores de carreira que tiveram promoções e progressões nos últimos quatro anos, mas há milhares de PSSs que não tiveram nenhum reajuste e centenas de aposentados que estão no quarto ano com reajuste zero”, declarou o presidente da APP, Hermes Leão.

Arruda confirmou o discurso, mas afirmou que os manifestantes vaiaram a presença de um pastor que estava sendo homenageado na Alep no momento do protesto.

“Foi inaceitável a atitude de quem estava lá. São dados reais do governo que eles não querem aceitar. Não há como haver reajuste, o Brasil todo está em crise. O problema é que tem muito mais debate com viés partidário-ideológico do que em torno do acordo em si”, declarou.

Líder do governo na Assembleia, o deputado Hussein Bakri (PSD) lamentou o protesto e ressaltou que, apesar de o governo ainda estar aberto a negociação, o Paraná deve ser o único estado do Brasil da conceder reajuste ao funcionalismo.

“O conjunto da obra foi ruim, foi um dia terrível, foi um dia para ser esquecido, mas não dá para mentir para os servidores. O Paraná quer continuar pagando a folha”, disse.

Segundo a APP, há 90% de adesão das escolas estaduais e 70% da categoria à greve. Mas, conforme boletim divulgado pela Secretaria de Educação, seriam cerca de 45% de adesão nos colégios, com 4% deles com as atividades totalmente paralisadas.

Reajuste parado

Inicialmente, o governo Ratinho Junior (PSD) havia comunicado que não daria reajuste ao funcionalismo estadual, que está há quatro anos com os salários congelados. Com a pressão dos servidores, a proposta atual é de conceder 2% de reposição em janeiro e parcelar o total de 5,09% até 2022.

Os professores, no entanto, querem adiantar o recebimento da primeira parcela para outubro deste ano. Os manifestantes prometem ficar acampados na Alep até que o governo envie outra proposta. O recesso parlamentar, que começaria só na próxima semana, foi adiantado e a última sessão estava marcada para esta quarta-feira (10).

“É desgastante para todos nós, mas a proposta é que a gente fique aqui aguardando a mediação e também como forma de denúncia a esse descaso do governador com os servidores”, disse Hermes Leão.

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