Descrição de chapéu Rio de Janeiro

Witzel diz que 'teria dado um tiro na cabeça' de morador de rua que esfaqueou dois no RJ

PM vai apurar ação de policiais no episódio, que acabou com mais 5 feridos

Júlia Barbon Marcela Lemos
Rio de Janeiro | UOL

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), elogiou o trabalho da Polícia Militar e afirmou que "teria dado um tiro na cabeça" do morador de rua que esfaqueou e matou dois homens neste domingo (28) na Lagoa, bairro da zona sul carioca. O episódio terminou com mais cinco feridos, incluindo o agressor.

"Toda ação militar está sujeita a erros. Existe a teoria e na prática pode não funcionar. Se eu estivesse no lugar do policial teria dado um tiro na cabeça dele, para evitar imediatamente. O agente foi melhor do que eu imaginava, atirando para neutralizar", disse ele nesta segunda (29), de acordo com o jornal O Globo.

"Parabéns à Polícia Militar, foi uma ação muito profissional, minimizando ao máximo o número de vítimas. Qualquer tipo de equívoco vamos corrigir", continuou. A PM informou nesta segunda que abriu uma apuração para esclarecer a conduta dos policiais que participaram da ação.

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) também comentou o caso em transmissão ao vivo pela internet, enquanto cortava o cabelo no Palácio do Planalto. "Um morador de rua esfaqueou, matou, executou duas pessoas no Rio de Janeiro. Agora, não tinha ninguém armado para dar um tiro nele, é impressionante. Mas tudo bem. Estava drogado o cara? Tá certo. Viciado em drogas", afirmou.

Por volta das 12h deste domingo, João Carvalho Napoli, 35, engenheiro e funcionário do Grupo Globo, estava com o carro parado no acesso ao túnel Rebouças, que liga as zonas sul e norte do Rio, quando o morador de rua Plácido Correa de Moura, 44, se aproximou.

O motorista abriu a porta do carro para afastar o agressor —que já teve ao menos outras três passagens pela polícia e aparentava estar em surto—, mas foi esfaqueado pela janela. Sua noiva, Caroline Moutinho, 29, saiu do carro para ajudar e foi atingida na mão e no abdômen. Eles iam se casar em três semanas.

O segundo a ser morto foi o professor de educação física Marcelo Henrique Reis, 39, que parou para prestar socorro ao casal e também foi esfaqueado por Moura. "Ele sempre fez trabalho voluntário. [...] Ajudou na elaboração da Vila Olímpica da Rocinha", lamentou a madrasta Josi no IML (Instituto Médico Legal) nesta segunda, ao liberar o corpo do enteado.

Quando policiais militares chegaram ao local do crime, tentaram fazer com que o morador de rua entregasse a faca. Segundo nota da PM, os agentes utilizaram uma arma de choque, mas ela não neutralizou Moura e ele acabou sendo baleado nas pernas.

Os disparos, porém, acertaram também uma ambulância do Corpo de Bombeiros acionada para a ocorrência. A cabo enfermeira Girlane Sena foi baleada na perna, e o capitão médico Fábio Raia foi atingido por estilhaços. Um policial militar conhecido como soldado Mauro, 33, também foi baleado de raspão.

"Tentaram imobilizar com o taser. Já vi policial americano ter a inefetividade de mais de um taser. Vamos avaliar o problema do equipamento. Evidentemente o uso de armas de fogo não é o recomendado em uma localidade com muitas pessoas ao redor", comentou Witzel nesta segunda.

Os cinco feridos estão fora de perigo. O morador de rua segue internado no Hospital Municipal Miguel Couto com quadro estável, e a namorada do engenheiro morto, Caroline, foi transferida para uma unidade particular, segundo a secretaria de Saúde. Os outros três, levados ao Hospital dos Bombeiros, já tiveram alta.

Apuração pela PM

Participaram da ação policiais militares dos batalhões de Policiamento em Áreas Turísticas (BPTur), do Leblon (23º BPM) e de Copacabana (19º BPM), cuja conduta agora está sendo apurada pela PM. A corporação informou que realizará ainda um estudo de caso da ocorrência. 

"Antes de qualquer avaliação mais profunda sobre o fato, vale ressaltar que a rápida chegada dos policiais militares evitou uma tragédia maior, pois o agressor armado com uma faca, e visivelmente transtornado, certamente atacaria outras pessoas", disse a polícia em nota.

De acordo com policiais que conversaram com a Folha no domingo, entre os fatores que dificultaram a ação estão a quantidade de carros que circulam na região e o fato de o morador de rua ter se escondido atrás do veículo, que tem película escura.

“O homem [agressor] ficou parado, eu não sabia que estava com uma faca. Escutei os disparos. O homem levou um tiro de taser e nem sentiu. Depois, foi baleado”, disse à reportagem Giovanna Von Lehsten Goes, 40, que parou o carro e viu o corpo do engenheiro no asfalto.

Histórico de agressões

Já havia ao menos três ocorrências registradas contra o morador de rua Plácido de Moura, segundo a Polícia Civil do Rio de Janeiro, mas ele nunca havia sido preso. Agora ele está internado no hospital, sob custódia.

Em janeiro de 2017, Moura foi apontado como autor de uma facada contra um funcionário da TV Globo. Em outubro do mesmo ano, foi acusado de lesão corporal por ter dado uma tijolada em um pedestre. E, em fevereiro de 2018, foi fichado por desacato contra PMs durante uma abordagem.

A Guarda Municipal do Rio informou que, durante patrulhamento nesta segunda embaixo do viaduto Saint Hillaire, onde ocorreram as mortes no domingo, encontrou duas tesouras, uma faca e uma chave de fenda. Os objetos foram encaminhados à Delegacia de Homicídios, que investiga o caso.

O órgão disse que os guardas acionaram a Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana) para a limpeza do local e que cinco pessoas que estavam vivendo ali saíram espontaneamente, negando que elas tenham sido expulsas. Afirmou ainda que vai reforçar o patrulhamento na Lagoa.

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