Dois presos morrem após beber 'maria louca' em presídio em Suzano

Segundo agentes penitenciários, três detentos passaram mal após ingerir coquetel

Thaiza Pauluze Alfredo Henrique
São Paulo

Dois presos do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Suzano, na região metropolitana de São Paulo, morreram nesta quarta-feira (21) após supostamente tomar um coquetel conhecido como "maria louca", segundo o registro policial. Outro detento passou mal com a bebida, mas está internado, fora de risco.

De acordo com informações de agentes penitenciários, os três teriam tido acesso à mistura de substâncias e começaram a passar mal dentro da mesma cela por volta das 7h30. Outros detentos chamaram a atenção dos agentes, que os encaminharam para atendimento médico de urgência. 

A Secretaria de Administração Penitenciária, sob gestão de João Doria (PSDB), não respondeu quanto tempo demorou para que os presos fossem atendidos.

Um deles, Daniel Silva, 47, morreu na enfermaria da unidade prisional. Outro detento, Fernando Herbert Gomes, 39, chegou até o Pronto-Socorro Municipal, mas também morreu na UTI. Já Samuel Oliveira de Araújo, 33, sobreviveu e está estável no hospital.

A causa das mortes será confirmada após expedição do laudo do exame de corpo de delito.

Silva havia sido indiciado por tráfico e receptação, enquanto Gomes foi indiciado por furto e roubo e Araújo por tráfico de drogas. Os três eram presos provisórios, ou seja, nenhum tinha sentença definitiva da Justiça.

Após o socorro, foi feita uma revista das celas pelo GIR (Grupo de Intervenção Rápida), mas, segundo a pasta da Administração Penitenciária, nada de ilícito foi encontrado e um procedimento interno foi instaurado para a apuração do caso. De acordo com os agentes penitenciários, a unidade foi trancada.

A "maria louca" é uma bebida feita nas penitenciárias, em geral a partir da fermentação de milho ou arroz durante uma semana e misturada a açúcar e cascas de frutas —a secretaria não respondeu o que tem feito para controlar a feitura do coquetel.

Inaugurado em 2003, o CDP de Suzano está superlotado. O local tem capacidade para 844 presos, mas abriga 1.539 detentos.

Mortes no cárcere

A cada 19 horas um preso morre em uma penitenciária de São Paulo. Essa foi a média registrada em 2018. Ao todo, foram 458 mortes. Em 91% dos casos, as causas foram classificadas como "naturais". Os dados são da própria Secretaria de Administração Penitenciária do estado e foram obtidos pela rádio CBN.

Segundo o último relatório da Pastoral Carcerária, de 2016, que monitorou os Centros de Detenção Provisória paulistas, os CDPs possuem estrutura mais compacta em relação às penitenciárias, tendo menor capacidade ou ausência de espaços para trabalho, oficinas, estudo ou biblioteca.

"Todavia, acabam abrigando pessoas presas provisoriamente e condenadas por meses, ou mesmo anos, sem que tenham capacidade para o contingente que vem gradativamente aumentando", diz o documento. Cerca de 40% dos mais de 600 mil presos no Brasil são provisórios.

Todas as unidades visitadas pela pastoral estavam superlotadas, com exceção de uma. "No contexto de superlotação, as condições de higiene e intimidade são praticamente inexistentes, propiciando a propagação de doenças físicas, além de transtornos de ordem mental como distúrbio do sono, depressão, entre outros", afirmou o órgão.

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