Gigante chinesa diz estar interessada na despoluição do rio Pinheiros

Comitiva do governo paulista está na China para tentar atrair investimentos

Igor Gielow
Pequim

A gigante estatal chinesa CRCC afirmou, durante encontro com comitiva do governo estadual paulista, estar interessada em participar da licitação do projeto para despolir o rio Pinheiros.

A informação foi dada pelo governador João Doria (PSDB-SP), que reuniu-se com o presidente da empresa, Chen Fenjian, em Pequim nesta segunda (5). Não foi falado nada sobre modelagem ou custos do projeto. O tucano comanda uma comitiva de 31 empresas e 5 secretários de estado buscando atrair investimentos para São Paulo.

A despoluição do Pinheiros, e com mais dificuldade também a do Tietê, entraram no radar de promessas do governo. No caso do Pinheiros, há um prazo definido para que isso ocorra: o fim de 2022. Especialistas avaliam que é exequível, dado que é um rio com maior vazão, ao contrário do Tietê.

Segundo Benedito Braga, presidente da Sabesp (estatal de saneamento), o programa já começou na prática com uma ação de despoluição de afluentes do Pinheiros e novas ligações. “A Sabesp já lançou processo de licitação para a conexão de um grande número de residências à rede de esgoto”, afirmou.

Doria disse que a estatal chinesa, que emprega 300 mil pessoas e fatura US$ 110 bilhões anuais em negócios diversos de infraestrutura, quer participar do processo —assim como já faz em outros lugares, como Moscou.

“Esse é um projeto prioritário do governo”, afirmou o tucano, que elencou como contrapartidas para a concessão do trabalho a exploração das margens revitalizadas do rio e o transporte de carga e passageiros.

Promessas para limpar os rios que cortam a capital paulista são tão antigas quanto inócuas ao longo da história. Em 1993, o governo Luiz Antônio Fleury (PMDB) prometeu despoluir o Tietê em 12 anos. O rio segue sendo um misto de esgoto e espelho d´água, dada sua baixa vazão. Em 2001, Geraldo Alckmin (PSDB) disse que o Pinheiros seria limpo com um método então novo, só para o projeto ser abandonado logo depois.

A data-limite de Doria coincide com a próxima eleição majoritária em nível estadual e federal, da qual o tucano fará parte —só não se sabe se como candidato à reeleição ou, mais provável, como postulante à cadeira de Jair Bolsonaro (PSL).

O jornalista viaja a convite da InvestSP

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